terça-feira, 25 de julho de 2017

Desafeto dos Contentos



















Dos opostos que se compõem
Fazem prosa a poesia reversa
Que versa consigo mesma
As inquietudes que escondem.
Entre palavras mansas
E pensamento indulgente,
Poesia pulsa.
Cruza a alma.
Nos tira o sono.
E na insônia do pensamento
Deixa o vento
Levar a alma em transe.
E o corpo que viaja,
Já não é mais constante
Mas sim protagonista
Da vida.
Do artista.
Que cria no seu grito,
Seu próprio atrito
Que anseia no peito
E o desafeto dos contentos
É o contratempo
Que já não é.
A poesia sem rima
É um paradigma,
Que nos diz um paradoxo:

D E C I F R A - M E. 

Sobre minha escrita

Eu detesto errar uma letra
Uma palavra ou simples frase.
Mas a poesia no meu peito tem pressa
E não espera a consulta ao dicionário.
Meu texto é dessincronizado.
E intradutível.
Porque se fosse marca branda
Num papel qualquer,
Sem erro e sem pressa,
Não seria eu.
Minha poesia
Minha escrita,
É o reflexo do que eu sou.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poemas Problemáticos
















A arte poética,
Dos poemas problemáticos,
Mal fadados ao fundamento
De suas lógicas e inquietudes
É arte errante
Que pulsa destoante
Num mundo confuso.
Ainda as pressas,
Deixam presas as arestas
Suas áreas inabitáveis
Onde a fala é mansa
E o grito não ecoa constante
Mas volta dessoante
E sem emitir nenhum sinal.
Quando volta, volta por igual.
Inigualável.
Inabalável.
E inconsistente.
Poesia é erro permanente

Tatuado no peito do poeta. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Um post de despedida.

Prezados amigos que acompanham este blog, todos sabem que o Escritos Desvairados é minha vida. Sempre foi e sempre será. Mas é chegada uma hora na vida de um poeta que até as mais belas palavras se calam. E tudo que resta é o silêncio na alma. Por este motivo, este poeta que vos fala decidiu encerrar suas atividades por um tempo. Uns dias, uns meses, uns anos, ninguém sabe ao certo quando a poesia volta a falar com um poeta. Este não é um post de adeus. É só um post de até breve. Não vou desativar o blog, porque como já disse, ele é minha vida, mas vou parar de escrever por uns tempos. Passei por perdas irreparáveis, por tempos difíceis e crises depressivas que me tiraram um pouco do brilho de escrever e não acho justo que a poesia morra dentro de mim. Por isso darei tempo ao tempo e esperar que ela volte um dia a me encantar como sempre fez. Até lá, terei que conviver com meus silêncios inquietantes.
Agradeço imensamente todos que me visitaram ao longo desses anos, a todos os elogios e críticas que recebi, e principalmente a todos os amigos que fiz através deste blog. Nunca os esquecerei.
Eu sei que uma despedida é sempre dolorosa e difícil de se fazer por isso serei o mais breve possível: Só quero agradecer o carinho de todos, meus amigos do facebook e meus parceiros do blog.
Um dia, quando a poesia voltar a nascer em mim, o Escritos Desvairados voltará. Mas até que isso aconteça, eu vou deixar que o tempo faça seu trabalho e cure não só minha escrita, mas meu coração cansado.

Até breve.

(F.H.Canata) 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O fantasma da tempestade.



















Não há muito mais do que sombras agora.
Lembranças de outrora que emergiram
Fugiram do meu controle e foram embora
Pra qualquer lugar onde não existam.

E no meio da ventania eu gritei seu nome
Tão alto que nem o trovão da tempestade
Tirou de mim essa imensa vontade
De fazer uma loucura e dançar no meio da chuva.

Eu visitei os anjos no céu
Mas os demônios na terra me puxaram.
E eu vi meus próprios medos
E todos eles me afogaram.

Apenas me deixe ir
Ou me deixe ficar aqui, bem à vontade.
Porque as histórias que contam, são todas verdade
Eu sou o fantasma no meio da tempestade.


E quando a tempestade passou,
Tudo que restou,
Foram as sombras que sobraram de mim.

Quando a noite do funeral chegar, não me dê flores
Nem me lembre de todos aqueles amores
Que eu deixei morrer antes de chegarem ao fim.