quinta-feira, 8 de abril de 2021

Aos Anjos que se foram















De tempos em tempos
Outro casal Nardoni vai surgir
E podridão do mundo, escancarada
Na vida de outro inocente, ceifada. 

De tempos em tempos
Um outro caso fantástico
Como todo o seu circo midiático, armado
Vai aparecer nos jornais
E o povo que nem se lembra mais
Vai apenas, lamentar. 

De tempos em tempos
Outra criança vai morrer
Outra família vai sofrer
Tirando de um inocente o direito de viver

E os políticos, eles vão apenas dormir
Apoiados numa constituição esfarrapada
Que não serve pra nada
Com sua consciência não pesada
De quem já não consegue nem sentir

Empatia, tristeza, choro, angústia. 

Nós não somos ninguém.
Mas que os anjinhos que partiram
Estejam num lugar melhor.
Porque o pior,
É que de tempos em tempos, outro casal Nardoni vai surgir...

sábado, 5 de setembro de 2020

As luzes de setembro

 



Sob as luzes de setembro, ei de vê-la.
E que as velas dos ventos novos
Soprem forte o amor
Além da sorte. 

E que os tempos difíceis 
Nos ensinem a caminhar 
Com a prudência 
E a essência 
Tão leve quanto sonhar. 

Porque além de setembro
Tem outubro, tem novembro. 
Tem dezembro e algo a mais. 
E os passos que deixamos para trás. 


É setembro e logo, a primavera
No peito, a ansiedade de quem ainda espera
Por uma luz pra iluminar o caminho. 

E nesses dias ensolarados
O peito bate apressado
Cansado de bater sozinho.  


...






Poema de nome inspirado no livro de Carlos Ruiz Zafón, autor que nos deixou nesse ano de 2020! 



domingo, 12 de janeiro de 2020

Desprenda-se para viver














Mergulho em memórias
E algumas outras histórias.
Revivo e relembro
Aqueles bons dias de dezembro.

E entre lembranças plenas
E felicidades pequenas
Percebo que talvez
Seja minha mente apenas insensatez

E que na verdade nada existiu, de fato.
E que alheio aos antigos atos,
Tudo que sobra é ilusão
De um maniqueísta coração.

Nada é e nada foi como nos lembramos.
Na verdade, nos enganamos
Ao esquecer do que foi mal
Vendo apenas o bem, afinal.

Porque queremos acreditar
Que antes, era mais fácil amar
Mas é preciso desprender do que passou
E tentar ser feliz com o que restou

E se possível, viver o hoje e o agora.
E ser feliz em demora
Sem se lamentar pelo que veio antes.

Porque a nossa vida passa.
E não devemos viver sem a graça
De sermos protagonistas e não meros coadjuvantes.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mais um ano vai chegando ao fim. Mais 365 dias de muita luta, e algumas glórias e muitos fracassos.  2019 vai entrando para o hall de um dos piores anos dos meus ( na reta final dos) vinte oito anos. Falar de todas as coisas que aconteceram esse ano, seria reviver velhos fantasmas e algumas novas decepções. Mas, para dar um breve resumo, basta eu dizer que não fiz praticamente nada do que eu listei em primeiro de janeiro, dizendo que faria. 
Perdi pessoas, perdi amigos, familiares, quase fali financeiramente, enfrentei uma severa depressão que me tirou a vontade de viver e ser feliz, e por fim e a parte que mais interessa a esse blog: Parei de escrever.
Com um livro engavetado desde 2018, 2019 me rendeu pouquíssimos escritos. Cadernos empoeiraram, bloco de notas foram jogados no lixo e aquele sentimento de que "eu só existia quando escrevia" foi aos poucos ficando em segundo plano, terceiro, quarto, último.
Passei a acreditar que o meu fracasso em todas as outras áreas da vida, também se estendia ao que escrevia. E quando perdi a confiança no que saía da caneta, me vi num bloqueio que eu mesmo criei. 
Foi então que eu me lembrei de um escrito de Paulo Leminski que li muitos anos atrás (Deixarei o texto ao final e também neste link aqui ) que dizia muito claramente o que é ser poeta nesta altura da vida.
Pra se acreditar em poesia em pleno dezembro de 2019, é preciso muita coragem, porque como diz Leminski é preciso muito heroísmo para continuar acreditando em poesia quando todas as outras coisas da vida adulta te esmaga sem dó, nem piedade e muito menos compaixão.
E é por isso, por acreditar na poesia, que o Escritos Desvairados continua de pé, desde 2011. Porque mesmo nas horas mais escuras, eu nunca deixei de acreditar na poesia. mesmo nos piores momentos, esse meu cantinho aqui é meu. Meu refúgio, minha fortaleza que me acolhe e me desvaira um pouco desse mundo caótico que é lá fora.
Então, ao 2019, eu não tenho mais nada a dizer a não ser um sonoro e confortante: JÁ VAI TARDE!
E ao 2020, que chegue trazendo o novo, que seja o início de uma nova década próspera e que eu nunca, jamais me esqueça, que poesia é o que me salva, o que me alivia, o que me traduz. E que o Escritos Desvairados continue como sempre, fazendo parte da minha vida e guardando tudo aquilo que de tanto não caber em mim, coloco em palavras.

Feliz 2020.




Texto de Paulo Leminski


"Aos 17 anos todo mundo é poeta, junto com as espinhas da cara, todo mundo faz poesia. Homem, mulher, todo mundo têm seu caderninho lá dentro da gaveta, e têm os seus versinhos que depois ele joga fora ou guarda como mera curiosidade. Ser poeta aos 17 anos é fácil, eu quero ver alguém continuar acreditando em poesia aos 22 anos, aos 25 anos, aos 28 anos, aos 32 anos, aos 35 anos, aos 40 anos, eu estou com 41, aos 45 anos, aos 50, aos 60 anos, até você encontrar um poeta, por exemplo, como Drummond ou como o admirável Mário Quintana que são poetas que estão fazendo poesia há mais de 60 anos e há mais de 60 anos que a poesia é o assunto deles. Então eu acho que 90%, mais! 99% dos poetas que estão fazendo poesia hoje, daqui a dez anos eles vão estar fazendo outra coisa, porque vem a vida, vem os filhos, vem preocupações com dinheiro, vem as ambições do consumo, vem a necessidade de comprar isso, comprar aquilo, de adquirir uma casa na praia e tal, e tudo começa a se tornar mais importante do que a poesia. A poesia é uma espécie de heroísmo, você continuar ao longo dos anos acreditando nessa coisa inútil que é a pura beleza da linguagem, que é a poesia, é um heroísmo, é uma modalidade quase, às vezes eu gostaria de acreditar, de santidade. É uma espécie de santidade da linguagem. Porque a poesia não vai te fazer rico de jeito nenhum, é muito mais fácil você abrir uma banquinha e vender banana do que fazer poesia. Quer dizer, para você continuar acreditando em poesia é preciso muita santidade."
 - 
Paulo Leminski em  Ervilha da Fantasia.

domingo, 17 de novembro de 2019

Aceite a sua mágoa


Todo mundo guarda mágoa de um momento, de algo ou alguém. Não importa se você é 'Good Vibes', 'Positividade', 'Hare Krishna', 'Deus é amor' ou da 'Ordem Franciscana'. Pare de se enganar achando que não, e entenda que, é normal sentir isso. Ninguém escapa dessa vida sem algo que nos magoe, que nos decepcione e que nos deixe triste. As emoções humanas nos tornam exatamente isso: Humanos.

Mas o que eu posso te dizer é que você deve aceitar a sua mágoa para libertar-se dela. Não engula sua mágoa ou a deixe numa caixa empoeirada em cima do guarda-roupa da memória, não passe por ela todos os dias e finja que ela não existe, não a ignore como você faz com as correntes que recebe no whatsapp.

Não tenha medo de tocar na sua mágoa. De dizer: Isso me magoou. Você me magoou. De encará-la frente-a-frente. Aceite a sua mágoa. Um dicionário define aceitar como dar “consentimento em receber”. Concorde em receber as suas emoções. Mesmo que lhe pareça absurdo no momento, aceite as emoções em seu corpo assim como você aceitaria em sua casa um visitante inesperado ou desconhecido ou uma dor incômoda. Substitua seu medo, raiva e rejeição por aceitação. Não lute contra as emoções. Resistindo você estará prolongando e intensificando o seu desconforto. Ao invés disso, flua com elas.

Perceba que, ao lidar com aquilo que você sente, você aprende a entender a si próprio. E entendendo você, talvez não encontre a paz absoluta, mas certamente se libertará de sentimentos maus, camuflados de "já perdoei" "já passou" "não ligo pra isso".  E aí meu caro, estará de fato pronto para seguir o teu caminho sem aquela sensaçãozinha de pedra no sapato que nos incomoda na alma.

Então, você estará pronto para seguir o seu caminho, por entender que a vida é fluída como um rio. E represar as águas passadas desse imenso rio dentro de nós, sempre acabará transbordando mais cedo ou mais tarde. O melhor é deixar correr e que as águas mais límpidas (sentimentos bons) faça brotar a vida abundante que há em nós, apesar de toda mágoa que por ventura, em outrora sofremos.