¿Dónde viene esta intervención
Palabras de otros
Haciendo caso omiso
De un poeta que no es
Perdido en sus pasos
Pero en sí mismo roto
Con otros tonos, pinta su rostro
Y Guasón no es una broma
Poesía aburrida
Como canta el tango
Violín sin cuerda
Sordo, mudo y sin rumbo
Así que se hace intervenir
En los días de reinventarse
Su pequeña rutina
Suave brisa es que va y viene
Pero no contiene
Con medias palabras, gestos medios
Pero el alma es manso
Con una taza de café en las manos
Y toda la vida de los poemas no tan bueno
Aún no se ha escrito
La vida sigue reinventándose
A sí misma en la misma rutina
Hoje eu só quero agradecer. Há alguns anos, quando perdi alguns amigos queridos num acidente de carro, havia perdido também minha fé. Foi aos poucos, primeiro deixando de ir à igreja aos domingos, depois parando de fazer minhas orações antes de dormir e quando dei por mim, tinha fechado as portas do meu coração para Deus. E foram muitos os momentos em que fechei meus olhos ao meu senhor. Até que bem pouco tempo atrás, ouvi esta música do vídeo, tocando numa rádio no carro no caminho de volta pra casa depois de um dia estressante de trabalho. Encostei o carro no acostamento, e quando dei por mim, estava chorando como criança, porque de alguma forma, aquela música tinha entrado dentro de mim, entrado em um lugar em meu coração que há muito estava fechado, e esta canção rompeu este silêncio. E ali mesmo, na beira da estrada, eu rezei e pedi perdão. Não um perdão falado apenas. Um perdão na alma. Um perdão pedido de filho pra pai, numa oração que durou minutos, mas que para mim, foram os minutos mais valiosos da minha vida. Algumas pessoas, reencontram Deus num momento de dificuldade. Num momento onde a esperança já é falha. Mas eu tive a graça de reencontrá-lo num fim de tarde, de ficarmos alí, observando o pôr-do-sol. E se você, assim como eu, foi deixando que as coisas do mundo fossem capazes de lhe afastar das coisas de Deus, lembre-se que nunca é tarde para se arrepender. E ele sempre estará ali, esperando por ti, na beira de uma estrada, numa noite mal dormida, numa manhã de chuva. Não importa como ou quando, se você chamá-lo com seu coração, ele te receberá de braços abertos.
Por isso hoje, eu só tenho à agradecer.
Pai, meu pai do céu, eu quase me esqueci, que teu amor vela por mim.
Que seja feito Assim.
E não nos deixeis cair em tentação.
mas livra-nos de todo mal, amém.
Ala Leste da Praça, Fachada do antigo prédio da Biblioteca Municipal.
Poucos Lugares me encantam mais nessa cidade que a praça do
museu. Um lugar que já foi palco para muitos escritos meus, palco de grandes
lembranças e grandes momentos. Lugar aonde sempre ia e sempre vou quando quero
um pouco de paz, quando preciso me encontrar em meio a tantos sentimentos
adversos.
Limeira, que era a menina dos meus olhos, hoje é uma
estranha desconhecida. Nunca escondi meu descontentamento com os atuais rumos
políticos desta cidade. Sou crítico convicto dos descasos da administração
pública e testemunha do abandono desta praça, que nos tempos áureos abrigava a
minha tão querida biblioteca municipal e que hoje está praticamente abandonada.
Mas mesmo assim não deixo de vir até aqui sempre que posso. É aqui que encontro
a paz num fim de tarde qualquer, onde fico a escrever por horas no meu
caderninho, sentado, fico quase invisível em meu canto, observando as pessoas
seguirem apressadas suas vidas sem se dar conta que no coração desta cidade,
pulsa uma alma querendo se encontrar.
Algumas coisas são simplesmente impossíveis de serem
explicadas por palavras, mesmo a quem tem intimidade com elas. E este amor
incondicional por este pequeno canto no mundo é uma dessas coisas que para mim
não se explica, apenas se sente.
E este texto, não trará nenhuma poesia, nenhuma crônica ou
texto cheio de palavras bonitas. Na verdade, este texto é apenas um
agradecimento, deste pequeno aprendiz, para este canto no mundo, que de tão
particularmente especial, se tornou uma parte indispensável de mim, um dos
poucos lugares que restaram nesta cidade, que me faz bem.
á é madrugada, na janela do meu quarto, e com o peito encostado na janela, olhando a tempestade chegando na cidade, lá estou eu, com o cigarro entre os dedos, pensando em tudo aquilo que de tão distante, parece ser parte de outra vida. No rádio, Jhonny Cash canta I Hurt myself today, to see if still feel, como se pudesse ler parte do que eu sinto agora, ou que preferia não sentir, mas no fim tanto faz. de alguma forma aprendi a me encontrar no meio dessa solidão toda. É incrível o poder que você exerce sobre mim. Sete anos. Fazem exatos sete anos que eu não falo seu nome, nem ouço aquela nossa velha música que tocava nas rádios. Pelo simples fato de que ao menor sinal da sua presença, minha vida vira uma bagunça. Faz sete anos que você me deixou e quando reencontro sua foto, guardada no fundo da gaveta do guarda-roupa, eu sinto o seu olhar como se ainda fosse ontem. Quando eu disse que eu te amaria até o fim da minha vida, confesso que pensei que fosse exagero. Mas mesmo assim, sete anos depois, aqui estou eu. Evitando tudo sobre você, na vã esperança de que um dia me acostume com a companhia da solidão, porque mesmo quando eu não quero pensar em você, eu penso. E enquanto isso acontecer, vai ser sempre você. Sempre amor à causas perdidas. Aprendi a me encostar nos ombros da solidão e ficar ali. Sem me incomodar ou incomodar alguém. Por mais que possa parecer triste, eu aprendi a ser sozinho depois que você se foi e hoje isso não me incomoda tanto. Ok, pode incomodar um pouco às vezes, mas é melhor que mentir a mim mesmo que te esqueci e abrir as portas para um novo amor, que vai acabar ao menor sinal da sua presença. Talvez daqui uns anos, eu também aprenda a não chorar. E de vez em quando, eu vou voltar a falar de você. Porque só assim vou escrever outras novas poesias. Bom, a tempestade chegou. E agora eu só quero ouvi-la bater na minha janela. Enquanto eu vou ficar aqui pensando em você outra noite. Porque tudo sobre mim, é como aquela velha canção do U2: