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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ser da noite

 








Nas trevas de Londres vagueia um ser fatal,

Misterioso, sem alma ou perdão mortal.

Seus passos sibilam nas vielas enigmáticas,

Ecoando sua presença, na noite sombria e ática.


Vulto obscuro, olhos velados, mistério lúgubre,

Figura sinistra, império etéreo que perturba.

Sua alma, sombria, oculta segredos enredados,

Em catacumbas vagantes, onde o mundo é sepultado.


O vento gelado sussurra ao seu caminhar,

Enquanto Londres adormece, no medo a se afogar.

Segredos obscuros circulam entre as esquinas,

Enquanto o ser misterioso tece suas sinas.


Solitário, exilado na penumbra da existência,

Preso no passado, mal que lhe seduz a consciência.

Ele vagueia, um ser da noite e da perdição,

Em Londres, a escuridão é sua eterna mansão.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

 







Mais um ano se passou.
Um ano inteiro deixando essa barba branca ridícula crescer, para interpretar de novo o Papai Noel da vila. Usar roupas desconfortáveis e suar feito um porquinho na brasa.
Mas é o que eu gosto de fazer. O que me motiva. O que me alegra. Amo essa época, amo esse ar “natalino”.
Roupa vestida, desço as escadas e finalizo meus preparativos: Biscoitos natalinos. Preparados na véspera, prontos para serem assados e distribuídos. Modéstias a parte, meus biscoitos são a melhor coisa do Natal na vila, todos amam.
Ah, o Natal. O Natal é mágico. Como me encanta essa época. Crianças e pisca-piscas espalhados por todos os cantos.
Na saída de casa, já vestido e com os biscoitos, me preparo para passar o dia na praça distribuindo sorrisos. Encontro meu vizinho Jorge no caminho.
“Olá, senhor Noel!” – Diz ele todo sorridente.
“Olá Jorge, como vai a vida?” –Pergunto por pura educação.
“O mesmo de sempre, e o senhor? Muito trabalho?” – Ele me responde.
“O mesmo de sempre. Quer um biscoito?” – Ofereço por educação.
“Ho-ho meu bom velhinho, sabe que não resisto a esses biscoitos. São os melhores de toda a vila”
“É a receita especial do Noel. O movimento está fraco hoje” – Questiono.
Ele então, com os olhos arregalados, me diz: “Não soube ainda? Aconteceu de novo. Mais um ano que duas crianças da vila desaparecem, sem deixar vestígios”
“Oh, não” ­– Me limito a responder.
Algumas outras palavras são trocadas, e logo Jorge se despede e segue seu rumo. Bom, ele tenta, mas volta segundos depois: “Senhor Noel, teria mais uns biscoitos, por gentileza? Essa sua receita especial é simplesmente deliciosa”
Claro meu bom Jorge. Coma a vontade.
Penso comigo: biscoitos natalinos são mesmo deliciosos, crocantes e com pedacinhos de crianças suculentas então, ficam melhor ainda.
Sorrio.
“Feliz natal, Jorge” 
“Feliz natal, Papai Noel”.