quinta-feira, 5 de maio de 2022

O Vazio

 



















A amargura
Do ser e do não ser
Desentranhamento
Lento e rastejante abismo.
Sobrevoa os pensamentos
Sobre o campo nevoento de memórias plácidas
Ácidos sentimentos Que corroem... o ser.
Goteja na ideia
E enche a alma,
Feito veneno, tira a calma.
E incendeia o espírito.
O não ser, predomina
E então...O Vazio. 


quinta-feira, 31 de março de 2022

Areias do tempo
















Nas indecisões do pensamento
Por um breve momento
Pensei em desistir
Ou que nunca mais pudesse sorrir

No passar das areias do tempo
Vi lentamente o pensamento
Esvaindo-se em fumaça
De um dia nublado e sem graça

Mas o peito mantinha a esperança
E ansiava uma velha lembrança
De um passado que nunca passou

As nuvens limparam e um céu azul se abriu
Meu peito então, sorriu
Sabendo que a felicidade enfim voltou.
 

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Obvio será meu 2022

 Eu não enxergo as coisas obvias e isso se tornou um problema meu. Eu sei identificar a galáxia de Andrômeda no céu, sei o tempo de rotação de todos os planetas do nosso sistema solar e até mesmo qual o número de prótons do urânio de cabeça, mas eu não enxergo as coisas obvias, como o quão importante é um abraço, uma palavra amiga, uns dedos de prosa e um café bem quente.

De que me adianta conhecer mundos que nunca estarei, se o mundo do qual eu faço parte me é invisível? Pessoas não são apenas átomos, pessoas são pessoas, são um universo particular e existem aqui e agora, nesse momento, não estão a anos luz da minha compreensão.

Se eu tiver que mudar algo em 2022, que eu mude a minha resolução e passe a ver que as coisas obvias são tão importantes quanto os mundos que eu gosto de observar, sozinho, porque é o que acontece com quem deixa de se importar e o universo, ele vai continuar, alheio a minha própria existência como sempre foi e sempre será, mas as pessoas, essas vão nos deixando e tudo que resta são lembranças de um tempo onde o obvio fazia muito mais sentido e tudo era mais simples e bom.

Retornarei ao Escritos Desvairados. Eu sou um aprendiz, aprendi com a poesia o valor da vida e é a poesia que será a minha casa, meu refúgio e minha esperança! Aqui é o meu lar e o cantinho ao qual dediquei toda a vida! 


Como diz Fernando Anitelli, #APOESIAPREVALECE 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

 







Mais um ano se passou.
Um ano inteiro deixando essa barba branca ridícula crescer, para interpretar de novo o Papai Noel da vila. Usar roupas desconfortáveis e suar feito um porquinho na brasa.
Mas é o que eu gosto de fazer. O que me motiva. O que me alegra. Amo essa época, amo esse ar “natalino”.
Roupa vestida, desço as escadas e finalizo meus preparativos: Biscoitos natalinos. Preparados na véspera, prontos para serem assados e distribuídos. Modéstias a parte, meus biscoitos são a melhor coisa do Natal na vila, todos amam.
Ah, o Natal. O Natal é mágico. Como me encanta essa época. Crianças e pisca-piscas espalhados por todos os cantos.
Na saída de casa, já vestido e com os biscoitos, me preparo para passar o dia na praça distribuindo sorrisos. Encontro meu vizinho Jorge no caminho.
“Olá, senhor Noel!” – Diz ele todo sorridente.
“Olá Jorge, como vai a vida?” –Pergunto por pura educação.
“O mesmo de sempre, e o senhor? Muito trabalho?” – Ele me responde.
“O mesmo de sempre. Quer um biscoito?” – Ofereço por educação.
“Ho-ho meu bom velhinho, sabe que não resisto a esses biscoitos. São os melhores de toda a vila”
“É a receita especial do Noel. O movimento está fraco hoje” – Questiono.
Ele então, com os olhos arregalados, me diz: “Não soube ainda? Aconteceu de novo. Mais um ano que duas crianças da vila desaparecem, sem deixar vestígios”
“Oh, não” ­– Me limito a responder.
Algumas outras palavras são trocadas, e logo Jorge se despede e segue seu rumo. Bom, ele tenta, mas volta segundos depois: “Senhor Noel, teria mais uns biscoitos, por gentileza? Essa sua receita especial é simplesmente deliciosa”
Claro meu bom Jorge. Coma a vontade.
Penso comigo: biscoitos natalinos são mesmo deliciosos, crocantes e com pedacinhos de crianças suculentas então, ficam melhor ainda.
Sorrio.
“Feliz natal, Jorge” 
“Feliz natal, Papai Noel”. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Sobre Lobos e Porcos







Era uma vez um porquinho. 

Com 6 anos, ele acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria os porcos a lua pela primeira vez, aquilo o fascinou e ele decidiu que seria um porco astronauta um dia. 

Aos 10 ele era o melhor porco da sala. 

Aos 15 ele passou em uma escola técnica para estudar química. 

Aos 20 ele já tinha 2 diplomas técnicos e fazia faculdade de astrofísica. 

Aos 30 ele estava pronto para ser um porco astronauta. 


Era uma vez um lobo. 

Com 6 anos, o Lobo acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria os porcos a lua pela primeira vez, aquilo o fascinou e ele decidiu que seria um lobo astronauta um dia. 

Mas o lobo era muito bem tratado pela sua família, que raramente ou quase nunca o cobravam alguma responsabilidade. 

Aos 10 ele era o pior lobo da sala. 

Aos 15 ele deixou de fazer curso técnico para se dedicar as baladas. 

Aos 20 herdou a empresa de publicidade do pai. 

Aos 30, ele se lembrou de quando queria ser um astronauta. 

Mas o Lobo não sabia nada de química, física, astronomia. 

Então, ele teve uma ideia e iniciou uma campanha, usando a antiga empresa do pai. 

Espalhou cartazes por toda a cidade, acusando os porcos de serem elitistas, de não darem oportunidades aos lobos, de criar um sistema onde só os porcos eram favorecidos e os lobos marginalizados. 

A ideia pegou e em pouco tempo os lobos já eram apoiados por leões, tigres e ursos, que iniciaram uma revolução contra os porcos. 

O lobo que mal sabia fazer uma conta de subtração foi eleito o presidente da nação e a partir dali todos os empregos deveriam possuir lobos em cargos de prestígio, acompanhados de leões, tigres e ursos. Os porcos deveriam se contentar com os cargos básicos, afinal, eles eram porcos. 


Com 50 anos, o porquinho acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria
os lobos a Marte pela primeira vez.

A ele, sobrou apenas a tarefa de fazer os cálculos, desenvolver o projeto e executar o lançamento, pois aquilo era tarefa dos porcos. Ao espaço, só cabiam os Lobos.