terça-feira, 10 de outubro de 2017

Paradoxos Próprios



















Dos complexos paradoxais
Das crises existenciais
Fundamentalismo barato
Sentimento abstrato

Retrata-se o desequilibrado
Deixando arestas dos erros passados
E o contraste do contexto
Já não é mais válido como pretexto

Vê-se às margens da inquietude
Tem lá seus medos de que tudo mude
Mas é fato consumado sua intensidade
E nada nem ninguém mudara sua identidade

Olha-se no íntimo do ser-ou-não-ser
E chega ao ponto de sentir o coração doer
Por ser tantos "eus" num só corpo
Coabitando na mente de um louco

Mas chega a conclusão de que é assim
"Queres eu que todos gostem de mim?"
NÃO. Em alto e bom som pra todo mundo ouvir
Ele é no fundo, só mais um dentre tantos...
...tentando existir.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Rotineiro




















A calmaria da cidade pequena
Fazia as almas serenas
Dançarem ao embalo da lua
Que tinha para sua, o brilho toda sua
E de mansinho a noite foi clareando
E um novo dia chegando
E tudo começa outra vez
Os velhos na praça jogando xadrez
A padaria lotada para o café
A igreja com seus devotos cheios de fé
Homens indo trabalhar como sempre
Um dia nada diferente
Mas nessa rotina toda havia algo inusitado
E se o sol não tivesse acordado?
E se a vida tivesse parado?
E se, numa noite tudo tivesse mudado?
Não percebemos que um novo dia deve-se sempre celebrar
Não mais 24 horas pra sorrir, viver e amar
Cada dia é uma dádiva que não percebemos
Ou fingimos que não vemos
Hoje mesmo você viveu o seu dia
e ainda teve a ousadia
de reclamar do cotidiano rotineiro
Meu caro, a vida é de momentos inteiros
Então hoje, antes de dormir, agradeça ao dia de hoje de verdade!
Que o amanhã lhe recompensará com muita felicidade...

domingo, 8 de outubro de 2017

Devaneios de outrora


















Via o mundo por uma janela
E em tudo que via nela
Sentia necessidade de viver
De tentar outra vez se reerguer

Cometeu erros como todos nós
Cai, sofreu e foi seu próprio algoz
Mas seguiu firme sua caminhada
E foi tocando a vida pela longa estrada

E de proza e anseios
Descobriu em si seus devameios
E aprendeu que a voz que vem de dentro
É bem mais forte que a gritada pelo vento

Passou então a ser calmaria
Viver sempre as coisas boas do dia
E viver em plenitude serena
Em sua vida mansa e pequena

E hoje não vê o mundo pela janela
Hoje ele vive aqui, vivendo nela.
Porque errar, todo mundo erra
E no fim, terminamos todos do mesmo jeito
Os justos e os desajustados embaixo da terra...

Doutor e paciente
















Entre anotações e linhas, pergunta o doutor:
O que sentes e qual a sua dor?
Jovem tão irritado!
Que mal consegue ser controlado?

Descobri doutor que sofro de dores
Alguns chamam de amores
Mas a mim só me causam mal
O que é isso afinal?

Isso meu caro paciente
É a dor de todo vivente
que um dia se pôs a amar
Você aprendeu que seu coração foi feito pra somar!

E o paciente saiu dali aliviado
Tinha enfim encontrado
O sentido de viver
Não importa que às vezes tenhamos que sofrer

O importante é se permitir amar mais a cada dia!

sábado, 7 de outubro de 2017

Olhos fechados


















Às vezes é difícil falar
Mas mesmo assim temos que mostrar.

Pensamentos dança em nossas mentes
E todo mundo parece que mentem
E  não sente pena dos seus atos

Perdemos o interesse dos fatos

No alto do prédio, via ela, a cidade iluminada
Mas lá dentro do seu coração, não sentia nada
Só um imenso vazio sem sentido
Pelos tantos sonhos que haviam morrido.
Uma breve brisa de vento tocou-lhe o rosto
E ela ainda sentiu pela última vez  o gosto
De estar viva...

... E então fechou os olhos e saltou...