Na noite densa, um homem solitário,
domingo, 22 de outubro de 2023
A Estrada sem graça
Na noite densa, um homem solitário,
sábado, 1 de julho de 2023
Devaneios de um coração
sexta-feira, 9 de junho de 2023
Ser da noite
Nas trevas de Londres vagueia um ser fatal,
Misterioso, sem alma ou perdão mortal.
Seus passos sibilam nas vielas enigmáticas,
Ecoando sua presença, na noite sombria e ática.
Vulto obscuro, olhos velados, mistério lúgubre,
Figura sinistra, império etéreo que perturba.
Sua alma, sombria, oculta segredos enredados,
Em catacumbas vagantes, onde o mundo é sepultado.
O vento gelado sussurra ao seu caminhar,
Enquanto Londres adormece, no medo a se afogar.
Segredos obscuros circulam entre as esquinas,
Enquanto o ser misterioso tece suas sinas.
Solitário, exilado na penumbra da existência,
Preso no passado, mal que lhe seduz a consciência.
Ele vagueia, um ser da noite e da perdição,
Em Londres, a escuridão é sua eterna mansão.
terça-feira, 30 de maio de 2023
Verdades nuas e cruas
De perto, todo o ecoQue ecoa nas mentes
São vazios
E quase sempre, mentem.
De longe, todo grito
Que reverbera pelas ruas
São verdades
nuas e cruas.
Espanto, sobre o pranto
Alguém chora em silêncio
Em algum beco qualquer
No teatro dos raivosos
Há gritos imperiosos
E nenhum silêncio sequer.
sábado, 7 de janeiro de 2023
Sobre pesos e olhares
Grita sem a calma
Sábia de outrora
E o choro, demora.
Sob sinais singulares
De tantos outros olhares
quinta-feira, 31 de março de 2022
Areias do tempo
Por um breve momento
Pensei em desistir
Ou que nunca mais pudesse sorrir
No passar das areias do tempo
Vi lentamente o pensamento
Esvaindo-se em fumaça
De um dia nublado e sem graça
Mas o peito mantinha a esperança
E ansiava uma velha lembrança
De um passado que nunca passou
As nuvens limparam e um céu azul se abriu
Meu peito então, sorriu
Sabendo que a felicidade enfim voltou.
sábado, 5 de setembro de 2020
As luzes de setembro
Sob as luzes de setembro, ei de vê-la.
E que as velas dos ventos novos
Soprem forte o amor
Além da sorte.
E que os tempos difíceis
Nos ensinem a caminhar
Com a prudência
E a essência
Tão leve quanto sonhar.
Porque além de setembro
Tem outubro, tem novembro.
Tem dezembro e algo a mais.
E os passos que deixamos para trás.
É setembro e logo, a primavera
No peito, a ansiedade de quem ainda espera
Por uma luz pra iluminar o caminho.
E nesses dias ensolarados
O peito bate apressado
Cansado de bater sozinho.
...
Poema de nome inspirado no livro de Carlos Ruiz Zafón, autor que nos deixou nesse ano de 2020!
domingo, 12 de janeiro de 2020
Desprenda-se para viver
E entre lembranças plenas
Na verdade, nos enganamos
E ser feliz em demora
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
Efemeridades
Houve um tempo
Mas o tempo não espera.
Como Cazuza já disse,
todas as feridas.
Ele apenas... passa.
Somos efêmeros.
Que num tempo, existe
Tenho me perguntado sobre o tempo,
Mas o tempo não perguntou sobre mim.
Ele apenas passou.
E o que ficou,
Foi a certeza de que,
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Paixão derradeira

Arrebenta-me
Ou vá-te embora
Que já é a minha hora
De escolher só aquilo que me tire o ar
Me revire do avesso e me quebre,
Pra depois me juntar.
Não me venha de meios termos
De meios ermos
E leva-te a calmaria
Que eu perdi essa mania
De amar de mansinho
Eu quero beijos, bocas, corpo e suor
E só depois o carinho
Onde antes havia dor
Se não for pra me desmontar
Me moldar e me cravar de beijos, mordidas e anseios
Que vá-te com teus meios
Em busca de amores rasos.
Eu quero o avassalo
O torpor, a alma inteira
E se não for aquela paixão derradeira
Deixa-me aqui sozinho
Que eu encontro meu caminho
Em busca de quem queira
O fogo que queima nas minhas veias
Querendo amar
Sem pensar.
Só amar.
sábado, 10 de agosto de 2019
Sobre Passos e Tempo

Faço das urgências do tempo
Uma pausa por um momento
Para uma caminhada a passos leves
Por toda minha história
E nas retilíneas lembranças
Perco-me
Entre recordações desbotadas,
Histórias passadas,
E algumas outras inventadas
Vejo o acaso
Presente em meus passos
Todos eles dados
Com alguns descasos
E no fim, a conclusão:
Que carrego no coração
Muito mais do que os passos que dei,
Os amores que amei
E os caminhos que trilhei.
Parei o tempo para ver
Que dentro de mim
Há mais do que as mil vidas que vivi
E ainda algum espaço para as tantas outras que ainda hei de viver...
sábado, 3 de agosto de 2019
Pensamentos Esparsos

Da vida, eu levo um breve anseio
E entre os meus tantos devaneios
Imagino-me sendo um ser diferente.
E diante de todos esses pensamentos indulgentes
Eu falho em saber quem sou.
Mas sei que o que eu sou
É apenas uma parcela do que me compõe.
E dentre todas as questões
Uma delas se sobrepõe:
Entre anseios e devaneios,
Entre as coisas que farei e as que já fiz,
Será que sou feliz?
Quem há de saber?
A alma sabe.
Quanto a mim, apenas cabe
Continuar a viver.
domingo, 28 de julho de 2019
Entendimento
No emaranhado de pensamentos
Perco meu entendimento
E fundo-me as memórias
Que em outrora
Compunham-me.
Recolho-me a sós
Onde todos nós
Vamos em busca de paz.
E assim, vejo-me capaz
De ir além
Mas não muito aquém
De quem realmente sou.
Sou verbo, sou carne, sou palavra
Também sou aquele fogo que não se apaga
E que, num auto entendimento
Fica sempre subentendido.
Porque todo meu pensamento
É apenas parte somada
De tudo aquilo
Que tenho vivido...
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Silêncios mudos.
Silenciar.
Com o tempo passei a silenciar
Pessoas, coisas, emoções.
Aquietei-me diante de situações,
Frustrações
E inquietações.
Silenciei
Abrandei meu ser em quietudes
Mudas.
Fui deixando de ser
E o brado do meu viver
Era apenas um silêncio mudo.
Silenciei tanto
Por tanto tempo
Que as palavras entaladas na garganta
Afogaram-me
E morri com tudo aquilo que não disse
De tanto silenciar-me
Silenciaram-me
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Marionetes

Eles vão se partindo
Todos os sonhos e planos
Os meus passos se tornam perdidos
E de repente
Eu que era tão cheio de certezas
Nem ao certo me reconheço.
A vida virou um palco
E uma dança de bonecos rotineiros
Seguem seu curso
Num espetáculo de absurdos.
Bonecos mudos
marionetes.
E no meio de tudo,
Eu não consigo distinguir
Não consigo fugir,
Reagir.
Me prendi a cordas invisíveis
Deixei escapar a liberdade
Pra viver uma triste vida
Que não me pertence...
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Ser só

Às vezes minh'alma implode
Carregada de um pragmatismo atemporal
Que de em tempos em tempos
Berra no inconsciente
Umas verdades,
Todas antes ignoradas.
Às vezes também
Eu me sinto tão vazio
Que esse misto de sensações que sinto
São apenas uma forma consciente
De me manter vivo
Nessa revoada assintomática
Que é ser só
Um cidadão sozinho.
segunda-feira, 25 de março de 2019
Erros.

Nessa reinvenção
De ser de novo
Ainda sou o mesmo velho
Frágil e perdido
Com tudo aquilo
Que eu não consegui esquecer.
E de tanto tentar ser
Novo de novo
Já nasci velho
E fragmentado.
Revivendo do passado,
Estagnado.
Naquela loucura desenfreada
De estar,
Sem pertencer.
E permanecer
Alheio ao novo ciclo
Totalmente novo
E cercado de velhos erros conhecidos.
sábado, 23 de março de 2019
Solitário

Tornei-me pragmático
Com todas as minhas desconstruções.
Súplicas, suplícios e tantas falas
Entrepassadas na garganta.
É alento para as desilusões.
E perdendo-se,
Foi sumindo.
A vida, a vontade, a força.
Virou flagelo.
Perdido
Sofrido
Cansado.
Abracei a solidão
E a convidei
De novo para a dança
Que já decorei os passos
E que ao longo da vida
Acostumei-me
A dançar só.
sexta-feira, 22 de março de 2019
Fantasmas

-Das minhas dores cuido eu-
Berrei outrora pra minh'alma
Que insiste em pesar sobre meu peito
Aquela aflição
De noites sem dormir
De tantos e tantos medos
Bobos
Ou reais, tanto faz.
- Das minhas dores cuido eu-
Eu enxotei exausto ao coração
Esse velho e burro coração
Que insiste em amar
Os mesmos moinhos de vento.
As minhas dores cuidam do eu,
Que de tão amargo nem sou.
Apenas me refaço
Em uma nova história batida
Com o mesmo semblante abatido
De quem foi, foi tanto e tão pouco
Que nem é mais.
-Das minhas dores cuido...-
Será que ainda é eu
Tentando berrar ao mundo?
Ou essa voz que ecoa
E destoa de tudo
É um eco passado
Dos mesmos fantasmas de outras épocas
Que no fim
São quem cuida de mim...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Todos os cantos do meu dia

Desmazelada andorinha,
Passarinha, que canta na janela
Aurora nascente de novo dia
Pia forte, que a vida é bela.
Entardece depois do meio dia
"Dia quente dá agonia!"
Quem reclama é a Cotovia,
cantarolando sua humilde melodia
E o Sabiá lá no jardim
anda falando para mim
Que não anda mais afim
De dividir o seu espaço
com o recém chegado Sanhaço
E por falar em quem chegou
O último pássaro que piou
Logo que eu vi a noite cair
Era ela, dona Coruja
Tão altiva tão intruja
A todos mandando dormir...