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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ser da noite

 








Nas trevas de Londres vagueia um ser fatal,

Misterioso, sem alma ou perdão mortal.

Seus passos sibilam nas vielas enigmáticas,

Ecoando sua presença, na noite sombria e ática.


Vulto obscuro, olhos velados, mistério lúgubre,

Figura sinistra, império etéreo que perturba.

Sua alma, sombria, oculta segredos enredados,

Em catacumbas vagantes, onde o mundo é sepultado.


O vento gelado sussurra ao seu caminhar,

Enquanto Londres adormece, no medo a se afogar.

Segredos obscuros circulam entre as esquinas,

Enquanto o ser misterioso tece suas sinas.


Solitário, exilado na penumbra da existência,

Preso no passado, mal que lhe seduz a consciência.

Ele vagueia, um ser da noite e da perdição,

Em Londres, a escuridão é sua eterna mansão.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Sobre Lobos e Porcos







Era uma vez um porquinho. 

Com 6 anos, ele acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria os porcos a lua pela primeira vez, aquilo o fascinou e ele decidiu que seria um porco astronauta um dia. 

Aos 10 ele era o melhor porco da sala. 

Aos 15 ele passou em uma escola técnica para estudar química. 

Aos 20 ele já tinha 2 diplomas técnicos e fazia faculdade de astrofísica. 

Aos 30 ele estava pronto para ser um porco astronauta. 


Era uma vez um lobo. 

Com 6 anos, o Lobo acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria os porcos a lua pela primeira vez, aquilo o fascinou e ele decidiu que seria um lobo astronauta um dia. 

Mas o lobo era muito bem tratado pela sua família, que raramente ou quase nunca o cobravam alguma responsabilidade. 

Aos 10 ele era o pior lobo da sala. 

Aos 15 ele deixou de fazer curso técnico para se dedicar as baladas. 

Aos 20 herdou a empresa de publicidade do pai. 

Aos 30, ele se lembrou de quando queria ser um astronauta. 

Mas o Lobo não sabia nada de química, física, astronomia. 

Então, ele teve uma ideia e iniciou uma campanha, usando a antiga empresa do pai. 

Espalhou cartazes por toda a cidade, acusando os porcos de serem elitistas, de não darem oportunidades aos lobos, de criar um sistema onde só os porcos eram favorecidos e os lobos marginalizados. 

A ideia pegou e em pouco tempo os lobos já eram apoiados por leões, tigres e ursos, que iniciaram uma revolução contra os porcos. 

O lobo que mal sabia fazer uma conta de subtração foi eleito o presidente da nação e a partir dali todos os empregos deveriam possuir lobos em cargos de prestígio, acompanhados de leões, tigres e ursos. Os porcos deveriam se contentar com os cargos básicos, afinal, eles eram porcos. 


Com 50 anos, o porquinho acompanhou pela TV o lançamento de uma nave espacial que levaria
os lobos a Marte pela primeira vez.

A ele, sobrou apenas a tarefa de fazer os cálculos, desenvolver o projeto e executar o lançamento, pois aquilo era tarefa dos porcos. Ao espaço, só cabiam os Lobos. 

domingo, 17 de novembro de 2019

Aceite a sua mágoa


Todo mundo guarda mágoa de um momento, de algo ou alguém. Não importa se você é 'Good Vibes', 'Positividade', 'Hare Krishna', 'Deus é amor' ou da 'Ordem Franciscana'. Pare de se enganar achando que não, e entenda que, é normal sentir isso. Ninguém escapa dessa vida sem algo que nos magoe, que nos decepcione e que nos deixe triste. As emoções humanas nos tornam exatamente isso: Humanos.

Mas o que eu posso te dizer é que você deve aceitar a sua mágoa para libertar-se dela. Não engula sua mágoa ou a deixe numa caixa empoeirada em cima do guarda-roupa da memória, não passe por ela todos os dias e finja que ela não existe, não a ignore como você faz com as correntes que recebe no whatsapp.

Não tenha medo de tocar na sua mágoa. De dizer: Isso me magoou. Você me magoou. De encará-la frente-a-frente. Aceite a sua mágoa. Um dicionário define aceitar como dar “consentimento em receber”. Concorde em receber as suas emoções. Mesmo que lhe pareça absurdo no momento, aceite as emoções em seu corpo assim como você aceitaria em sua casa um visitante inesperado ou desconhecido ou uma dor incômoda. Substitua seu medo, raiva e rejeição por aceitação. Não lute contra as emoções. Resistindo você estará prolongando e intensificando o seu desconforto. Ao invés disso, flua com elas.

Perceba que, ao lidar com aquilo que você sente, você aprende a entender a si próprio. E entendendo você, talvez não encontre a paz absoluta, mas certamente se libertará de sentimentos maus, camuflados de "já perdoei" "já passou" "não ligo pra isso".  E aí meu caro, estará de fato pronto para seguir o teu caminho sem aquela sensaçãozinha de pedra no sapato que nos incomoda na alma.

Então, você estará pronto para seguir o seu caminho, por entender que a vida é fluída como um rio. E represar as águas passadas desse imenso rio dentro de nós, sempre acabará transbordando mais cedo ou mais tarde. O melhor é deixar correr e que as águas mais límpidas (sentimentos bons) faça brotar a vida abundante que há em nós, apesar de toda mágoa que por ventura, em outrora sofremos. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Um Morto entre os vivos e o caso das jóias roubadas. (Um conto de Sherlock Holmes)

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Ele voltou.
Era uma noite de cinco de outubro, eu não me recordo bem de qual ano porque quem costuma anotar tudo para transcrever depois é Watson, eu prefiro guardar os fatos que importam em minha mente e o ano não é relevante.
Eu estava um pouco debilitado naquela época porque me recuperava de uma doença severa. E havia conduzido uma experiência que se provou frustrante na tentativa da cura. De forma que, o que tomei conhecimento naquela noite, me chegou pelo jornal.
Quando terminei de ler a notícia, deduzi pelo barulho dos passos, que o inspetor Lestrade da Scotland Yard bateria em minha porta na 221B da Baker Street em no máximo, dez segundos.
A doença obviamente não me deixou em meu melhor raciocínio, porque levaram onze.
- Senhor Holmes, eu sei que o senhor está enfermo, mas uma desgraça aconteceu hoje. – Disse o bom e velho Lestrade, ainda ofegante, ora pelo cansaço, ora pela excitação.
- Sim eu sei, inspetor. Acabei de ler no jornal. Moriarty retornou dos mortos. – Eu disse calmamente.
-Não Holmes, por Deus, o que eu vim lhe contar e pedir sua ajuda, é que alguém conseguiu roubar as joias da coroa. Uma desgraça para esta nação senhor Holmes.
-Exatamente o que eu disse, Lestrade. Moriarty está vivo. Ninguém no mundo conseguiria tal proeza, além de mim, talvez. Exceto o professor e como mortos não roubam joias reais, a lógica responde a questão. Ele está vivo.
-Mas, eu não entendo Holmes.
-É compreensível que não entenda meu caro. Uma pessoa sobreviver à Reichenbach já é improvável. Duas, mais improvável ainda. Entretanto, é verdade.
-Não é sobre Moriarty estar vivo que eu não entendo. Não entendo como o senhor disse que leu nos jornais, se a notícia do roubo não foi noticiada ainda para não criar alarde?
- Leia esta notícia. – Disse lhe.
- Estivador morre em acidente em Porto de Southampton. – Neste momento, Lestrade me olhou como se a minha doença tivesse me arrancado uma parte do cérebro e eu não falasse coisa com coisa.
- Eu vou lhe poupar a leitura enfadonha da notícia e ir direto ao ponto: A foto que ilustra a notícia, mostra o suposto estivador. Note o anel em seu dedo. É uma insígnia do MI6. Estivador coisa nenhuma, este homem é um desgarrado do serviço secreto britânico. Usou sua influência para conquistar informações para que seus comparsas roubassem as joias, depois, tratou de arrumar um disfarce como estivador no porto para embarca-las clandestinamente e sem que despertasse nenhuma suspeita. O crime foi a mando de Moriarty, não tenho dúvidas e uma vez consumado, ele tratou de apagar o sujeito para não deixar pontas soltas.
- Santo Deus, Holmes, o senhor conseguiu descobrir tudo isso numa foto desbotada de um jornal londrino?
- Só isso não, meu caro. Eu também sei onde elas estão. O Mesmo jornal informa que as atividades no porto tiveram que ser suspensas após a morte do homem. Os navios não puderam atracar, nem desatracar por pelo menos duas horas. Exceto um. Navio de carga SS Sir Bartholomeu que zarpou 10 minutos depois do acidente. Muito conveniente não? As joias estão no navio, que está indo para a Índia nesse momento. Convém à Scotland Yard que o intercepte assim que atracar.
-Senhor Holmes, o senhor é fantástico!
-Não Lestrade, informação é fantástica. Quem tem informação, tem tudo.
Quando terminei, o inspetor estava de boca aberta o que ele fazia sempre que eu solucionava um caso. Este no entanto, não exigiu nada de minha mente brilhante.
-Mas, eu ainda não entendo porque o senhor ligou este caso à Moriarty.
-Ora, simples. Quem mais teria um plano para roubar as joias de vossa majestade? Mais ainda, quem mais teria audácia e meios para executá-lo?
-Mesmo assim, Moriarty pode ter tudo o que quiser, porque se preocupar com as joias?
-Não é as joias que ele quer, é a mim. Claro que ele tinha uma vã esperança que seu plano desse certo, mas no fim, ele só queria chamar minha atenção. Dizer de forma indireta que está de volta. E se ele está de volta, eu Sherlock Holmes também estou Lestrade. Ande, você tem uma carga valiosa para recuperar e eu tenho meu maior rival de volta do além túmulo para capturar.
E foi assim que a nova jornada começou. Mas esta é uma outra história. História que talvez Watson narre à vocês um dia.

domingo, 19 de agosto de 2018

Sherlock Holmes em: Au revoir, mademoiselle Adler

Uma história de: F.H.Canata

               O bom Lestrade esperava-me em minha sala de visitas há algumas horas. Era uma linda manhã se me lembro bem, detalhes triviais como um agradável dia de verão ou um dia completamente obscuro pela densa neblina só me eram gravados na memória, se fizessem de algum modo parte de alguma investigação dos meus registros, caso contrário eu nunca dedicara atenção a eles de forma precisa. Watson não dividia mais o 221B da Baker Street comigo na época, de forma que, a excitação de Lestrade teve que esperar sozinho até que eu acordasse por completo e me vestisse para o café da manhã. 
               - Oh, Holmes temo trazer-lhe notícias desfavoráveis. Ela...
               -Fugiu.  – Completei de forma brusca a frase, olhando calmamente a rua com seus cabriolés vespertinos, pouco apressados, uma vez que era um domingo como tantos outros, dia de descanso.
               - Então o senhor já sabe, senhor Holmes? Como soube? – Perguntou-me incrédulo o inspetor da Scotland Yard.
               - De certa forma, sim. Os fatos que eu sei, eliminam teorias e induz-me a deduzir o óbvio- Disse-lhe.
               -O senhor surpreende-me senhor, com seus métodos.
               -Não há nada para se surpreender aqui Lestrade. Basta apenas analisar sob a perspectiva correta. Apesar do sono, pude ouvir o murmúrio da voz calma da Senhora Hudson no andar de baixo há, ao que deduzo, umas duas horas atrás, dizendo-lhe que eu estava ainda na cama e que você poderia me esperar aqui. Enquanto me trocava, escutei seus passos apreensivos pela sala de espera e o barulho da corrente de seu relógio várias vezes, o que claramente, me mostrou que você estava ansioso para falar comigo, mas não era um portador de boas notícias, se assim fosse, teria me pedido para acordar imediatamente, mas você preferiu corroer-se com a aflição de quem não quer perturbar Sherlock Holmes enquanto ele dorme com notícias ruins. Uma vez que você e seus homens estavam atrás de um único objetivo, os fatos em si me sugeririam a resposta. Ela fugiu e você veio aqui na intenção de avisar-me do seu infortúnio.
               -Juro Holmes que não sei como ela conseguiu. Mantivemos atento-nos o tempo todo e ainda assim, ela se foi bem diante de nós. Como num passe de mágica.
               -Ora homem, a mágica em si é a sutil arte de desviar a atenção. E este tempo todo você e seus homens da Scotland Yard foram apenas meros espectadores da senhorita Adler.
Ela partiu de Londres ontem à noite no trem para Liverpool. Pegou os passaportes falsos que encomendara à sir Wallace, um dos melhores falsificadores de toda a Londres e de lá, partiu para França. Esses são os fatos que eu sei. Agora, deve estar em qualquer lugar do mundo, menos aqui no ocidente. Seria arriscado até mesmo para ela manter-se perto por hora.
               -Santo Deus homem e como é que sabe disso tudo? – Perguntou-me Lestrade.
               -Porque eu disfarçado a segui desde que ela saiu também habilmente disfarçada de um senhor de meia idade, bem diante dos seus homens.
               -E porque é que o senhor não nos alertou Holmes?
               -Porque meu caro Lestrade, eu encerrei o caso. Está terminado.
               -Terminado? Ora, mas o senhor mesmo acabou de dizer que ela conseguiu fugir! Como pode estar terminado?
               -Porque eu digo que está. Irene Adler era um perigo enquanto esteve por perto. Agora que se foi, não devemos mais nos preocupar com ela.
               -Então isso quer dizer que acabou? – Fitou-me aqueles olhos astutos do inspetor.
               -Sim. Acabou. Nem eu, nem o senhor, nem toda a Londres, jamais ouvirá de novo o nome Irene Adler. E este é o fim do caso. Agora, poderia fazer-me a bondade de me passar o Daily Chronicles desta manhã que está na mesinha. Ah, obrigado. Detestaria começar o dia sem procurar no jornal um novo caso para minha mente...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Mulher (Um conto sobre Sherlock Holmes)


Encontrei-me com ela.
Meu caro amigo Watson sempre me ouviu referir-me sobre ela como “A” Mulher, mas cá entre nós, Irene sempre fora muito mais. Eu, o mais altivo e astuto homem que já caminhou sobre estas terras, cuja destreza do raciocínio sempre fora impecavelmente perfeita, encontrei em Irene Adler meu calcanhar de Aquiles.
               Watson poupara os seus leitores dos fatos mais importantes sobre ela a meu pedido. Não incluíra em seus contos-registros, as muitas vezes pelas quais a senhorita Adler cruzou meu caminho e venceu-me. Talvez porque John sempre quisera ver-me como um homem sagaz, um herói, coisa que eu mesmo o adverti sobre nunca ser e menos ainda almejar ser. Lestrade que o diga. Não fosse pelas inúmeras vezes as quais cedi os créditos de minhas vitórias a ele, apesar de ser um brilhante inspetor da Scotland Yard, não teria a boa fama que ostenta hoje.
               Mas este breve relato não se trata de outra coisa, senão dela. A Mulher. Irene Adler. Poucas vezes na vida eu vi alguém conseguir unir inteligência e sabedoria como ela. Nem tampouco vi caminhar sobre a terra, pessoa mais esperta, arisca e arredia. Ela era, em todos os sentidos possíveis, impossível de ser domada. Não sou capaz de fazer uma descrição fisionômica de sua pessoa, porque, esta habilidade pertence ao meu biógrafo Watson que sabe conduzir uma narrativa melhor do que ninguém, e embora eu ainda possua o retrato dela, guardado no meio daquela minha surrada agenda velha no fundo do baú onde guardo as anotações dos casos de Moriarty, eu não toco em sua fotografia muito menos ouso olhá-la. Permanece lá, inquieta e solene. Para lembrar-me da primeira vez que a vi, naquele escândalo evitado envolvendo o herdeiro do trono da Boêmia tão bem descrito nos contos de meu velho amigo.
               Mas a grande verdade, que acho eu nem mesmo Watson sabe é que eu guardei o seu retrato e o mantenho comigo até hoje. Porque é da minha persona exaltar-me com minhas vitórias pessoais, mas também faz parte de mim, Sherlock Holmes, lembrar sempre de que nunca serei nada comparado a Irene. E aceito este fardo de bom grado. Watson disse certa vez, se me lembro com exatidão de suas palavras (Peço a gentileza de que me concedam o direito à dúvida, pois Watson sempre fora muito preciso em seus julgamentos sobre minha personalidade, mas em dadas ocasiões, escondi dele o que sentia com exatidão para poupá-lo de preocupações desnecessárias)que eu, Sherlock, sempre tivera uma inteligência fria, porém admiravelmente equilibrada o que me tornava imune a emoções,  incluindo o amor.
               Mas ela. A Mulher. Irene Adler.  Teve de mim o mais próximo desse sentimento que eu pudesse ser capaz de sentir.
               É certo quando dizem por aí que nenhum homem jamais venceu o grande Sherlock Holmes. Porque as únicas vezes que fui vencido, não fora um homem. E sim uma Mulher.
               A Mulher.
               Irene Adler.


Sherlock Holmes, 221B Baker Street, Londres 18 de maio de 2018.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

De volta à Cidade do Medo (Capítulos disponíveis no Wattpad)

O primeiro romance policial do autor deste blog: F.H.Canata agora está com seus primeiros capítulos disponível GRATUITAMENTE  no Wattpad 




Um Romance Policial que promete te intrigar do início ao fim!

Sinopse:
Fred leva uma vida tranquila numa cidade do interior paulista, até que sua vida sofre um grande abalo. Após passar por uma tragédia e ter que lidar com a responsabilidade da culpa, ele decide deixar sua cidade natal e mudar-se para a capital, tentar recomeçar a vida longe das lembranças de seus erros
.
Sete anos se passa e ele é agora Frederico Machado, investigador da DHPP de São Paulo, mesmo atormentado pelas lembranças do passado ele consegue seguir sua vida solucionando homicídios e está prestes a ser delegado. Mas então uma ligação no meio da noite de um antigo amigo do passado muda tudo.
Na manhã seguinte, lê nos jornais que Murilo cometeu suicídio. O mesmo amigo que na noite anterior lhe fez uma ligação misteriosa e cheia de palavras que antes pareciam desconexas, mas que agora lhe dão apenas uma certeza, não fora suicídio. Seu amigo havia sido assassinado.
Fred então terá que voltar a cidade que lhe traz péssimas lembranças, uma cidade que lhe traz recordações que ele não quer relembrar. Mas é obrigado a enfrentar os fantasmas de seu passado para solucionar o assassinato de seu amigo.
Junto com outro velho amigo que agora é delegado, Fred e Edvaldo logo vão descobrir que a morte de Murilo foi apenas o começo. Outros eventos misteriosos vão colocar a sanidade de Fred a prova e ele terá que lidar com seus demônios pessoais, terá que remexer em velhas e doloridas lembranças na tentativa de capturar um misterioso assassino que parece ligado a seu passado e dedicado a vê-lo cada vez mais perdido em seus medos e tormentos.
E logo ele descobrirá que a vida de todos a sua volta correm um grande risco…

De volta a cidade do Medo é um romance policial que levará o leitor a uma enigmática caçada a um assassino misterioso e calculista, ao mesmo tempo em que despertará a curiosidade de seus leitores sobre o intrigante passado de seu protagonista cheio de lacunas e mistérios, é um livro que nos fará pensar até que ponto somos capazes de enfrentar nossos medos sem perder a sanidade.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A sombra do mundo

(Texto escrito em 2009)

















O mundo é um abismo.Um abismo imundo e insano onde os suicidas se jogam um a um cabeças abaixo.
Não precisamos tanto assim de sinceridade. Até porque a maioria delas só mostram um lado de duas opiniões E no fundo, sinceridade demais machuca.

Um belo dia desses eu vou acordar e o mundo inteiro estará mudo. E então as opiniões deles não significará mais nada para mim e para mais ninguém.
A vida na verdade é bem mais simples de se viver, se você souber lidar com ela. O fato é que nós fazemos a enorme questão de dificultá-la. Nós a complicamos de tal forma que por inúmeras vezes fica tão difícil continuar única e exclusivamente pelos caminhos que trilhamos em nossas mentes.
No fundo, tenho pena de minha sombra que não pode escolher seu próprio destino

Mas a grande verdade dessa vida é que todos nós somos iguais as nossas sombras. Vivemos dominados pelo mundo e por nossos medos. E são eles quem controlam nossos caminhos e muitas vezes trilham nosso futuro.

No fundo, nós somos a sombra do mundo. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Retomando...

Bloquinho com poesia minha, escrita pela Lívia
Olá meus caros amigos, o blog do aprendiz, enfim será retomado, depois de um longo período de inquietudes deste poeta que vos escreve. Andei por lugares vazios, por vidas vazias e pro mundos próprios, refiz meus conceitos errôneos, que continuaram errôneos, mas pelo menos agora refeitos. Eu vi o meu reflexo no espelho da vida, sendo testemunha assistida dos meus defeitos que sempre me colocavam invulneráveis a mim mesmo.
Mas o tempo das inconsistências foi se dissipando, cada vez mais e mais e agora a poesia voltou a fazer sua morada por aqui.
Agradeço aos que aqui permaneceram, aos que esperaram pacientes por este aprendiz, aos que confiaram na minha escrita e principalmente, aos que nunca me deixaram desistir. Esta minha volta é graças a vocês.
Um super abraço especial à minha amiga de blog Denise Oliveira, que sempre muito carinhosa, nunca deixou de visitar esta janela da minha alma ao qual chamo de Escritos Desvairados.
E um super abraço especial também a minha querida Livia Garcia, mas do que uma fã, uma irmã que ganhei através deste blog.
Passado este momento de agradecimentos, hora da nossa boa e velha poesia de sempre


Resetei formas antigas de pensar
Pelo fato de elas me faltarem o respeito
Com a própria expressão literal
Que obviamente, nunca foi minha por direito.

Busquei a espiritualidade das palavras
Dedicando amor incondicional
Libertando todo sentimento
Amando cada momento por igual

Vivi paradigmas intensos
Acreditando ser impenetrável
Mas eis que no íntimo da alma
Todo ser é vulnerável.

E dos meus sórdidos erros
Fiz aprendizado consciente
E aos poucos, fui me levantando
Para viver o que ainda há pela frente


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O conto da Alice Inventada Parte I

[Apresentação]
"E havia aquela garota, que tinha os olhos da cor do mar em dia de tempestade. E ao olhá-los, só se via um turbilhão de sentimentos e sensações. Todavia, aquele olhar carregava a magia. Carregava mistérios incógnitos que nem ela ousava desvendar. Ou desventurar-se em si mesma a levaria de volta a pensamentos distantes. Pensamentos que, agora estavam ocultos sobre o mar em seus olhos. E eu era o pobre marujo que ao contrário dos demais, queria morrer lentamente naquela tempestade, porque se o mundo realmente acabasse hoje, valia a pena morrer embriagado no olhar daquela garota ao qual, imaginavelmente passei a chamar de Alice. E Alice, trazia dentro de si, seu próprio mundo de segredos e verdades"

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Conto - Do que é feita a vida senão de sonhos?


“Do que é feita a vida, senão de sonhos?”
Veio me dizer naquela tarde o jovem sonhador da rua dos Alencares. E aliás, diga se de passagem, nunca vi nome tão extravagante para uma rua. O nome com certeza não era esse, mas era assim que todos nós a conhecíamos, pelo fato de lá ser a morada de quatro famílias com sobrenome iguais, mas que nunca se conheceram.
Mas esta não é uma historia sobre a rua, nem sobre a cidade, mas sim sobre as pessoas e seus sentimentos.
No momento mais amargo de minha vida, um velho, a beira da morte não poderia esperar muita coisa, senão relembrar seus velhos amores e as desilusões por eles causados. Tenho mais anos do que um garoto do primário possa contar e meu nome não passa de um borrão de tinta num pedaço de papel do cartório municipal.  Perdi meu grande amor quando tinha dezessete anos, e isso já faz tanto tempo, que é a única lembrança que tenho daquela época.
Eu a vi partir numa manhã de inverno, quando havia realmente inverno nessas terras, saiu pela porta como quem vai a padaria comprar o café da manhã e nunca mais voltou.
Recebi uma carta algumas semanas depois, dizendo que tinha seguido seu coração e embarcado junto à uma companhia de teatro norueguesa.  Nunca fiz objeções. Nunca falei dela antes, mas se a morte bate a porta de um velho, talvez seja a última vez que ele possa contar-lhe sua história.
Casei-me algumas vezes. Maria, Alice, Bernarda e Constância. A Todas dediquei amor, mas nunca um amor sincero. Nunca as traí. Nossos relacionamentos nunca duraram, porque mais dia ou menos dia, elas descobriam que eu era um velho amargo, cheio de lembranças de um amor passado que nunca morria.
E sim, viver de lembranças podem arruinar um homem.
Fiz dinheiro nos negócios, fui um bom pai e avô para com minha família, nunca deixei faltar absolutamente nada a nenhum deles. Mas faltava-me o amor. O amor perdido que foi que consumindo, consumindo, até que eu não conseguisse suportar.
E no final, quando o ciclo da vida se encerra, tudo o que tenho são as lembranças dela para meu consolo.
A morte chegou algumas horas depois da visita do jovem da rua dos alencares. Sentou elegante à mesa, e esperou que o café ficasse pronto. Sentamos e tomamos alguns goles, eu, sem açúcar e ela com uma pequena dose de conhaque que restara numa garrafa que eu nem lembrava mais que tinha.
No final, disse baixinho em meu ouvido: “ É chegada a hora, ela está te esperando do outro lado para viver tudo o que ainda não foi vivido.”
E então eu deitei-me no velho sofá da sala, pensando comigo enquanto partia:
“Do que é feita a vida, senão de sonhos?
...”

sábado, 13 de abril de 2013

Matéria do Estado de S. Paulo: Lygia Fagundes Telles, testemunha literária


A leitura de hoje, é a reprodução da matéria de Ubiratan Brasil do Jornal: O Estado de S. Paulo com uma entrevista a escritora Lygia Fagundes Telles, publicada no caderno Sabático 











(Para ler a entrevista diretamente na Página do Jornal Estadão Acesse o Link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,lygia-fagundes-telles-testemunha-literaria,1020463,0.htm)




Lygia Fagundes Telles, testemunha literária
A escritora relembra momentos marcantes de sua trajetória, como a amizade com Clarice Lispector e Hilda Hilst, a viagem à China em 1960, o encontro com Montero Lobato e a agonizante espera pela liberação de 'As meninas' pela censura



Para João Ubaldo Ribeiro, é a grande dama da literatura brasileira. Milton Hatoum destaca a magnitude e a perenidade dos contos de Antes do Baile Verde e Seminário dos Ratos, livros publicados nos anos 1970. Já Ignácio de Loyola Brandão garante não "existir, na literatura brasileira, uma pessoa mais adorável". Próxima dos 90 anos (completa na sexta-feira, dia 19), a escritora Lygia Fagundes Telles é praticamente uma unanimidade. Autora de uma obra de estilo elegante, ecos machadianos e um permanente estado de espírito que permite manipular a escrita com firmeza e serenidade, Lygia sempre oferece ao leitor a oportunidade de pensar sobre suas existências.
Basta conferir sua obra, reeditada com esmero pela Companhia das Letras desde 2009. Muitos livros se tornaram clássicos, como o romance As Meninas, de 1973, "livro até hoje muito lido nas escolas, pois reflete o impasse de jovens que viveram numa época obscura", observa Milton Hatoum. "O destino das personagens é, de algum modo, o destino de uma geração movida por sonhos de liberdade sexual e política, ou por um desejo de ascensão social. É um romance que opera com o equilíbrio entre o psicológico, o social e o político. Sem dúvida, um dos melhores livros da autora."

De fato, a literatura sempre foi, para Lygia Fagundes Telles, um caminho para mudar o mundo. Pelas letras, ela transmite aos leitores a aventura de novos conhecimentos - seja pelos detalhes do cotidiano, pelo devaneio particular ou mesmo pela vida da imaginação. "É uma escritora que se dedica aos temas universais: a loucura, o amor, a paixão, o medo, a morte", observa o crítico José Castello, autor do posfácio da nova edição de Seminário dos Ratos.

Mesmo assim, é uma mulher ligada ao cotidiano. Em seu apartamento, em São Paulo, vive rodeada de boas lembranças: fotos dos dois maridos (Goffredo da Silva Telles e Paulo Emílio Salles Gomes), do filho querido Goffredinho, de amigos e de viagens inesquecíveis. Nos últimos meses, Lygia recebeu o Sabático para reavivar lembranças, escrevendo ou falando, como as que vêm a seguir.

Clarice Lispector

Era uma grande amiga, além de excepcional escritora. Sempre me dizia: "Liginha, não sorria nas fotos. Ninguém leva a sério mulher que aparece sorrindo na fotografia!". Também era ótima companhia em viagens. Certa vez, em Cali, na Colômbia, abandonamos os debates para ficar no bar, bebendo champanhe (ela) e vinho tinto, enquanto ríamos gostosamente e ela pedia a minha opinião sobre quem era mais indiscreto nas suas traições, o homem ou a mulher. Aliás, na viagem de ida, quando o avião balançava muito e eu estava preocupada, Clarice se voltou para mim e disse: "Não tenha medo porque o avião não vai cair. Minha cartomante disse que eu morreria deitada, portanto, fique tranquila". Esse misticismo era contagiante. Certa noite, quando eu dormia em um hotel da cidade de Marília, onde participava de um seminário, fui acordada por uma andorinha desgarrada, que entrou voando no meu quarto. Levei um susto, mas logo estranhei a forma como o animal me encarava, muito amigável. Logo, consegui que o pássaro saísse pela janela. No dia seguinte, fui informada que Clarice morrera naquela noite. Só consegui dizer, baixinho: "Eu já sabia".

Ato da escrita

Para escrever, você precisa se dedicar de corpo e alma a seu personagem, a seu enredo e à sua ideia. É preciso que seja um ato de amor, uma doação absoluta, e é impossível sair do transe enquanto não dá a história por acabada, enquanto não decifra o humano. O detalhe é que o ser humano é indefinível. Por mais que tente, você não consegue defini-lo totalmente. O ser humano é inalcançável, inacessível e incontrolável, ele está sujeito a esses três 'Is'.

Mao Tsé-tung

Era um homem atarracado, com os olhos muito puxados e uma expressão quase imutável. Em nossa visita à China (éramos vários escritores), nos presenteou com um livro de poemas, escrito por ele mesmo, em francês e chinês. Os versos até que eram bons.

Monteiro Lobato

No longo corredor que me pareceu sombrio, o carcereiro avisou que a visita teria que ser breve, mesmo porque já tinha um visitante lá dentro. Entrei na saleta fria. Uma mesa tosca, algumas cadeiras de palhinha. Em torno da mesa, Monteiro Lobato de sobretudo preto, um longo cachecol de tricô enrolado no pescoço. Sentado ao lado, o visitante de terno e gravata, calvo, os olhos azuis. Monteiro Lobato levantou-se abotoando o sobretudo e veio ao meu encontro com um largo sorriso. Era mais franzino e mais baixo do que eu imaginava. Tinha os cabelos grisalhos bem penteados e o tom da pele era de uma palidez meio esverdeada, mas os olhos brilhavam joviais sob as grossas sobrancelhas negras. Ofereceu-me a cadeira que estava entre ambos. "Este aqui é um caro editor", apresentou-o e disse o nome do editor que não guardei. Sem saber o que dizer, fui logo enumerando os seus livros que já tinha lido e que ocupavam uma prateleira da minha estante, "ah! as paixões da minha adolescência": Narizinho Arrebitado, Tia Nastácia, o Jeca Tatu, as memórias daquela boneca de pano, a Emília, o Saci-pererê...
Ele me interrompeu com um gesto afetuoso, eu sabia que era avesso às homenagens e assim entendi a razão pela qual desviou a conversa, afinal seus personagens não eram culpados pela sua prisão, mas sim as cartas que andou escrevendo, ou melhor, as denúncias que andou fazendo através dessas cartas porque livros os governantes não liam mesmo. Deviam ler, mas não liam e daí a ideia das cartas curtas e diretas. "Estou aqui no meio de bandidos, tinha que me calar ao invés de avisar que o petróleo é nosso. A mocinha já entendeu, hein? Sei que é estudante, mas o que está estudando?" Quando contei que estava na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, ele abriu os braços num gesto radiante: "Pois foi lá que eu me formei!". Só que na nossa turma não tinha meninas, só marmanjos. "Ah! Se tivesse aqui um vinho a gente poderia brindar estes doutores! Quer dizer que a mocinha vai advogar?" Comecei gaguejando, bem, era difícil explicar, eu era uma estudante pobre, queria me formar para ter um diploma e assim anunciar um bom emprego. Na realidade queria ser escritora, escrever contos, romances...

Monteiro Lobato voltou-se para o editor e tocou-lhe no ombro. "Olha aí, a mocinha é vidente! Já está sabendo que escrever neste país não dá dinheiro, escritor morre pobre e ignorado. Então ela é uma vidente!", disse e tirou do bolso do sobretudo um pequeno bloco e uma caneta. "Vamos, deixe o seu nome e endereço, o meu amigo aqui vai lhe enviar algumas reedições dos meus livros, vamos, diga logo antes que o carcereiro apareça."

Faculdade de Direito

Decidi ser advogada por causa do meu pai, Durval, que também se formou na São Francisco. Era um homem lindo, adorável, mas que tinha um grande pecado: era um jogador contumaz. Adorava roleta. Ele me levava a um cassino em Santos e, enquanto eu, pequena, tomava uma enorme taça de sorvete, meu pai jogava as fichas e as perdia, uma a uma. Quando íamos embora, derrotados, ele sempre dizia: "Hoje perdemos, mas amanhã a gente ganha". Eu o admirava muito. Mas não foi fácil estudar na São Francisco. Na minha turma, éramos apenas seis mulheres entre mais de cem homens. Todas virgens! Certa vez, um dos meus colegas me perguntou: 'O que vocês, mulheres, querem aqui na faculdade? Casar?' Respondi, de bate-pronto: 'Também!' Mal sabia ele que me casaria com um dos professores (Goffredo da Silva Telles).

Hilda Hilst

Verão de 1952. Eu já estava casada com Goffredo quando a Hilda foi nos visitar no Rio. Ficou hospedada no Hotel Olinda, em Copacabana. Ela usava um maiô claro de tecido acetinado, inteiriço, na moda, os discretos maiôs inteiriços. Lembro que tinha no pescoço um longo colar de conchinhas. Falou-me dos novos planos, tantos. Estava amando e escrevendo muito, quando ela se apaixonava a gente já sabia que logo viria um novo livro celebrando o amor. Nesse sábado, tínhamos marcado no nosso apartamento um encontro com alguns amigos, Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Breno Accioly, José Condé... Hilda Hilst chegou toda de preto, os cabelos dourados soltos até os ombros. Falou em Santa Teresa d'Ávila, a do "amor duro e inflexível como o inferno". Pedi-lhe que dissesse o seu poema mais recente. Então, eu me lembro, Cyro dos Anjos cumprimentou-a com entusiasmo e começou a examinar a pequena palma da mão que ela lhe estendeu, ele sabia ler o destino nas linhas da mão.

Livraria Jaraguá

Segunda Guerra Mundial, ano de 1944. Eu era uma mocinha de boina, morava com a minha mãe num apartamento na Rua Sete de Abril e duas vezes por dia passava pela Rua Marconi, quando ia para as aulas na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. E quando retornava no final da tarde, emendava a manhã com o meu expediente de trabalho na Secretaria da Agricultura, onde colava retratos, era uma estudante pobre.
Nessa Rua Marconi ficava a bela Livraria Jaraguá, de Alfredo Mesquita, e onde se reuniam as mais importantes personalidades da tranquila cidade de São Paulo, comoção da minha vida! - no desabafo ardente de Mário de Andrade. Esse mesmo Mário de Andrade que foi um dos primeiros frequentadores da livraria nos encontros no fim da tarde, ele o Oswald de Andrade. A esses intelectuais mais velhos (Sérgio Milliet, Lívio Xavier, Sérgio Buarque de Hollanda) foi se juntando um grupo de jovens, os fundadores com Alfredo Mesquita da revista Clima: Antonio Candido, Lourival Gomes Machado, Paulo Emilio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e Ruy Coelho, ah, tanta gente e tantos projetos. Tantos planos. Era a elite intelectual da Faculdade de Filosofia, os jovens herdeiros da Semana de 22 e aos quais Oswald de Andrade apelidou de chato-boys: "Com oito anos eles começaram a ler Marcel Proust e com dez já discutiam Spengler, ai! não aguento tamanha precocidade!", disparava Oswald de Andrade e Alfredo Mesquita dava aquela risadinha cascateante.

Paulo Emílio Salles Gomes

Meu segundo marido era um homem encantador, inteligente, vibrante, irônico. Ele me apelidou de Cuco, brincadeira com o relógio de uma velha tia cujo cuco sempre cantava as horas com atraso - eu sempre me atrasava para nossos compromissos. Também apelidou meu filho Goffredinho de Cré, pois, nas aulas de francês, quando o garoto errava feio, Paulo disparava: 'Crétain!" (cretino). Paulo sempre foi um grande incentivador da minha obra, especialmente nos momentos mais difíceis. Como em 1973, quando publiquei As Meninas. Era época pesada da ditadura militar e eu me inspirei, entre outras coisas, num panfleto que detalhava a violência física sofrida por um preso político. Coloquei isso no meio da trama e fiquei apreensiva quando o livro foi enviado para a censura. Enquanto aguardava, nervosa, o veredicto, fui surpreendida pela chegada, alegre, de Paulo, em nosso apartamento. Ele trazia uma garrafa de vinho e estava muito disposto a comemorar. Logo explicou: aborrecido com uma história em que não acontecia nada, o censor só lera algumas páginas, não chegara àquele ponto da tortura e liberava a obra.

Dom Casmurro

Eu estava na Faculdade de Direito quando li pela primeira vez Dom Casmurro, uma edição que comprei em um sebo. Achei, então, que Capitu era uma santa, uma pobrezinha; e ele, Bentinho, um neurótico, um doido varrido, histérico. Conversei com as minhas colegas, éramos seis mulheres, sobre a leitura, e eu dizia: "Não pode isso, esse homem é um louco, neurastênico, desesperado, casado com uma santa em que via a traição." Enfim, não li mais o livro. A segunda leitura foi na maturidade. Estava casada com o Paulo Emílio e preparávamos Capitu (roteiro filmado por Paulo César Saraceni e lançado pela Cosac Naify). Reli o livro e disse ao Paulo: "Mudei completamente de ideia, a mulher traiu ele, sim, o filho não era dele". E ele me perguntou: "Você tem certeza? Cuco, você não pode ser juiz, temos que suspender o juízo, como o próprio Machado queria." E eu: "Mas eu não posso suspender, esse homem é um doido, coitada dessa mulher". "Cuco, não vista a toga de juiz. Vamos apresentar o roteiro como está no livro. Você está ficando com a cara do Bentinho!" "E você então está me traindo!" Capitu traiu Bentinho? Eu já não sei mais. Minha última versão é essa, não sei. Acho que, enfim, suspendi o juízo. No começo, ela era uma santa; na segunda, um monstro. Agora, na velhice, eu não sei. 




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Incólume

Esqueço-me. Como se quisesse reinventar meus detalhes. Como se palavras definissem lembranças, ou deixassem esconder marcas inquietas por baixo da alma cansada das desilusões. Me procuro em silêncios, e não estou lá. Talvez na mesa de um bar, num telefone que toca em vão. Talvez eu esteja lá, no tempo desperdiçado em conversa fiada, num tempo que já não é mais nosso, ou em alguma letra de uma música lenta que já não toca mais nas rádios.
Só não sou feito de mentiras.
E no meio de todas essas confusões, as pessoas não entendem quem eu sou. E a essas pessoas, não tenho respostas. Porque enquanto houver ela aqui dentro, eu nunca vou saber quem eu sou de verdade. Apenas uma sombra na noite que não consegue dormir. Apenas uma lembrança que não muda, que não vai embora e nem permanece onde devia. Mas são essas as idas e vindas de histórias inacabadas. E a mim, só cabe o silêncio e as palavras ao mesmo tempo.
O silêncio para acalmar a alma.
E as palavras para tentar me encontrar.

domingo, 25 de setembro de 2011

Fantasmas


















-Entre. - Disse o doutor.
Foi a deixa que eu esperava para entrar no desabafo do pior pesadelo de minha vida.
Meu psicólogo era um homem alto, magro e de poucas palavras. Geralmente só me ouvia desabafar, e no final concluía com um “Conte-me mais sobre isso” que muito me irritava.
Mais aquela sessão era especial. Eu estava o usando para exorcizar meus fantasmas.  E sentia uma enorme satisfação por tornar útil um psicólogo. Porque pelo menos os que já passaram por minha vida antes, nunca tiveram uma real serventia.
Seguimos o mesmo processo de rotina,  sentar-me na cadeira esquisita, começar a contar os fatos de minha vida, e o ouvir resmungando atrás de mim.
-Doutor, desta vez o problema são estes fantasmas. – Eu disse.
-Fale-me mais sobre isso. – Ele me disse. Como sempre.
-Claro doutor. Com prazer. – Eu disse, limpando o pigarro da garganta e começando meu diálogo.

“Meu pequeno problema é que há estes pequenos, porém perturbadores  fantasmas em minha lacuna pessoal.  Estes  pequenos pedaços da minha própria história, que me fazem perder a noção dos sentimentos em questão.  E não há, em meu querer, uma vontade própria de expulsá-los.  E falar sobre o problema, é uma barreira tão longa, que não existe a menor possibilidade de ser feita sem o auxílio.”

Eu então fiz uma pausa, porém, não ouvi os resmungos habituais vindos atrás de mim. Então, virei-me lentamente, observando todo o consultório com ávida predestinação. E não havia nele nenhum sinal do meu psicólogo.
Das duas, uma. Ou ele era apenas mais um dos fantasmas da minha existência.  Ou meus problemas pessoais eram tão chatos que ele se levantou e foi embora.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Minha primeira namorada maluquinha







Ela estava lá, cantando no palco, aquela velha canção que meus ouvidos já conheciam daqueles fins de noite em meu quarto, quando a luz apagada era a única sombra de escuridão em nossa história. Vê-la ali, ainda que apenas por aqueles pequenos momentos antes do fechar das cortinas já me eram de grande valor.
Como já era de costume, eu ficava ali, no fundo do salão oval do teatro Vitória. Chegava sempre alguns minutos depois do espetáculo ter começado, e saía um pouco antes dele acabar. Apenas para que minha presença não fosse notada.  Eu já era sentido na voz suave dela enquanto cantava para o público. E isso me bastava.
Nossa pequena história contada e reinventada pelo tempo, era algo que ia além das pequenas limitações do sentir humano. Éramos arte. Éramos apenas aquilo que tínhamos que ser. Mas que como tudo aquilo que se existe, um dia termina.
Me lembro como se fosse hoje, de quando a conheci. Eu estava perdido na biblioteca municipal, procurando por um livro de Ágatha Chistie, quando ela de repente apareceu do nada, com um livro na mão, e apesar de não nos conhecermos, disse como se já fossemos velhos amigos:
-Toma aqui, leia este livro. É melhor que romances policiais, e tenho certeza que você vai adorar a história.
O livro em questão, era uma versão infanto-juvenil de “Os Miseráveis”. De fato, adorei o livro. Mas lá pelas tantas páginas, encontrei no meio dele um pedaço de papel, com o nome daquela garota maluca e seu número de telefone.
Ela não foi apenas meu primeiro amor. Foi também, um dos mais importantes da minha vida. Foi um namoro rápido. Nos conhecemos, namoramos, e em determinado momento decidimos que era melhor cada um seguir seu rumo. Ela dizia que eu roncava. E eu sempre achei que ela era meio maluca.
Depois ela se mudou para outra cidade, e continuou sua carreira de atriz de uma cia. de teatro que não tinha muito futuro.
Aí, você caro leitor, deve ser perguntar, e o que esse texto tem a ver com este blog? Calma, eu já estou quase chegando na parte das explicações.
Hoje pela manhã, li a nota do casamento dessa maluca na coluna social. O casamento foi realizado no último final de semana. Uma festa maravilhosa, e ela estava linda. Apesar de eu ainda achar que noivas devam se casar de vestido branco, e não aquele vestido roxo que ela estava usando. O fato é que isso me encheu de uma estranha felicidade.
Minha primeira namorada maluquinha estava agora casada. Isso me fez pensar que na vida, todos os pequenos momentos, não são apenas lembranças que passam. Elas ficam. E volta e meia, se fazem presentes em nosso caminho. Para nos lembrar que sempre tivemos motivos para sorrir, e que sempre haverão coisas boas a serem vividas.
Este texto, é em homenagem àquela maluca, que chegou do nada, ficou pouco tempo, mas sempre será lembrada com carinho, como a minha primeira namorada maluquinha.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma sincera opinião sobre Destino e Acaso



Esta noite me perguntaram se eu acreditava em destino. Eu respondi que sim, apesar de acreditar que o destino é uma verdade e uma farsa em movimento. O destino é instável. Muda o tempo todo, graças a um fator simples chamado: Acaso.
Suponha-se que meu destino é morrer hoje num acidente de ônibus. Eu sigo meu ritual habitual, me apronto, tomo meu café e saio de casa sem nem menos imaginar que dentro de algumas horas estarei morto, tudo porque este é o meu destino. Quase chegando no ponto do ônibus, eu piso num cocô de cachorro.  Volto pra casa correndo, troco o sapato e volto o mais rápido o possível, mais perco o ônibus. Retorno a minha casa desanimado, ligo a tevê e vejo a notícia que meu ônibus capotou na rodovia, não houve sobreviventes.
O cocô de cachorro, foi o acaso que mudou todo meu destino. Pode até ser que eu venha morrer hoje, que um avião caia na minha cabeça, sei lá (mais espero que não!). Mais o fato é que o destino muda. Ele não é aquela ideia que temos de que todos os nossos passos já estava premeditado.
Deus nos deu o dom do livre Arbítrio.  O direito de dizer não, quando querem que digamos sim. O direito de fazer escolhas. E nos dando esse nobre, porém perigoso direito, acabamos criando o acaso, que consequentemente altera o destino o tempo todo.
Por isso, e não só por isso, é que devemos viver nossas vidas, sempre tomando cuidado com nossas escolhas, e não com nosso destino. Acredito que tudo aquilo que realmente é nosso, nos é ofertado na hora certa.
E escrevendo sobre isso, me lembrei de uma frase de um colega dos meus tempos de colégio. Certa vez, ele disse que: Entre aquilo que não sabemos e aquilo que não conhecemos, devemos sempre ficar com aquilo que acreditamos. Se você acredita em destino, seja ele estável, ou instável, no fim das contas não faz diferença nenhuma. O que importa é viver...

terça-feira, 28 de junho de 2011

A Casa ( The House para Estrangeiros)


Todas as noites, eu sonho com uma casa. A cada noite o sonho muda. Às Vezes é sonho, outras vezes é pesadelo. Mais a casa é sempre a mesma. E é isso que me assusta, pois não é a minha casa. É uma casa antiga e grande e tem janelas enormes e um telhado bem escurecido pelo tempo. A paisagem também muda a cada sonho, algumas vezes é no campo, outras é na cidade, já foi até no meio do deserto outro dia (Não me perguntem por que eu sonho com deserto!).
Certa noite, lá estava eu sonhando mais uma vez com esta casa. Eu estava dentro dela, e pela paisagem na janela, parecia ser primavera, não, o céu estava escuro, deveria ser inverno, ah sei lá, sonhos não são perfeitos não é? Era uma primavera com céu de inverno.  Eu estava no que parecia ser uma sala de estar, alguns móveis estavam cobertos por lençóis brancos e bem empoeirados. De repente, ouvi passos no andar de cima, barulhos de coisas caindo e alguns gritos. Subi as escadas correndo (Desculpem, já citei que a casa, na verdade era um sobrado? ) e depois passei por um corredor que me levava ao quarto de onde havia ouvido os barulhos.  Cheguei frente à porta do quarto, sentia minha respiração pesada, girei a maçaneta lentamente, porém estava trancada.
Lembrei-me que em outro sonho, de outra noite, havia um molho de chaves guardado na cozinha. Corri até lá e misteriosamente, o molho de chaves do outro sonho estava no mesmo lugar neste meu sonho recente. Peguei as chaves e novamente fui até a porta. Tropecei na escada e caí, mais isso não é relevante pra história.
Testei uma infinidade de chaves, até finalmente encontrar a certa. Girei-a duas vezes e pude ouvir o trinco estremecer-se como um ancião ansioso à espera de seu convidado. Girei também a maçaneta, pois o molho de chaves já havia desaparecido ( acho que voltou sozinho pra cozinha) e então abri a porta com estardalhaço, querendo de uma vez por todas ver o que havia por trás daquela porta.
Foi aí então que acordei com o sol entrando pela minha janela. E desse dia em diante, nunca mais sonhei com a casa. Tudo porque eu queria saber o que havia por trás daquela maldita porta, apesar de que, pelos indícios do sonho, não deveria ser coisa boa.
Talvez se eu não tivesse desperdiçado meu tempo de sonho tropeçando na escada, eu conseguiria descobrir o que havia naquele quarto antes de acordar.
A parte boa disso tudo, é que aprendi uma lição: na vida as coisas também são assim. Alguns tropeções podem evitar que seus sonhos se tornem um pesadelo por completo!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Uma Conversa com Deus...


Durante o dia, este homem sentiu falta da mulher de sua vida, e quando a noite chegou, depois de ter chorado pela sua falta, foi pedir explicações ao seu Deus:

“Meu pai, esta noite venho a ti, porque as lágrimas voltaram a escorrer em meus olhos. Venho a ti, porque não consigo compreender como pode planejar isto contra mim? Como pode me separar do amor de minha vida e me fazer vê-la com outro homem? Tu bem sabes que eu a amo. E que sou louco por ela. Tu sabes que é com ela que sonho todas as noites, que tenho planos, quero casar-me, ter filhos ao lado dela. Não senhor, realmente eu não consigo entender porque tu me separaste da mulher de minha vida. Espero que possa me explicar isso, pois dizem por aí que tu sempre tens um Porquê naquilo que faz. Desculpe-me senhor pela minha revolta esta noite, mais já estou cansado de sofrer longe da mulher de minha vida...”

Naquela noite, logo depois de sua oração, este homem caiu num sono profundo, e em seu sonho, o “Senhor Deus do alto céu”, foi até ele para uma conversa muito séria:

-Olá José. - Disse o senhor.
- Deus? Você está em meus sonhos? – Perguntou o homem confuso.
-Sim, estou. Fiquei um pouco magoado com sua oração, pois você questionou minhas decisões. Por isso resolvi vir até aqui, em seus sonhos para lhe explicar algumas coisas. – Disse Deus.
- Ora, e não era pra menos? O senhor me deixou longe da mulher de minha vida. E eu a vi com outro. Pode existir algum propósito nesse sofrimento?
- Olha aí você de novo me questionando... Vocês homens são tão tolos. Bom, vou começar a lhe explicar, mais quero que faça silêncio e me escute entendeu?
José fez que sim com a cabeça. E então Deus esticando as duas mãos para trás, começou a contar:
- Há alguns anos, eu planejei o seu futuro. Coloquei uma mulher perfeita em sua vida. Alguém que você já conhecia desde criança. Alguém que te fazia muito bem. Você crescia e continuava gostando dessa mulher. Mais enquanto o tempo ia passando, seu amor ia se desgastando. Pois ela sempre te amou , e com isso, você foi se acomodando.Você se casava com essa mulher e tinha filhos. Mais seu relacionamento estava começando a cair na monotonia. Você estava deixando de amar sua esposa e estava pensando em traí-la. E algum tempo depois, você a traiu. Sua mulher, agora era infeliz, e você estava levando sua família à destruição. Seus filhos agora te odiavam, e sua esposa estava com depressão. Foi aí que decidi mudar o rumo das coisas. Ser “Deus” tem esses privilégios.  Eu fiz com que essa mulher fosse embora ainda na adolescência.  Fiz que você a visse nos braços de outro. Porque isso despertou o amor verdadeiro em seu coração. Agora você sabe que ela é o amor da sua vida. E nunca vai deixar este amor se acabar. Porque você sabe a dor que é perde-la, pois agora eu já te fiz passar por isso uma vez.

O Homem, estava sem palavras. Não conseguia pensar em mais nada. Deus acabara de lhe explicar o porque o havia separado daquela mulher, ele precisou perde-la para entender que aquele era o amor de sua vida.
Ele ainda tinha muitas perguntas a fazer a Deus. Pensou em cada uma delas, e virou-se novamente para onde estava o senhor, mais o sol já estava nascendo, e Deus já havia voltado para o céu...

Moral da História: SEMPRE CONFIE EM DEUS!  Ele sempre sabe o que faz.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Amores de uma noite fria...



Em uma dessas noites frias, com a chegada de um junho tão igual a tantos outros, olho-te a repousar sobre a cama ainda desarrumada da noite anterior. Minha cabeça, que antes estava tão atarefada á pensar em coisas a se fazer, agora olha com desejo pra você. Te ver ali, diante de mim, até me faz esquecer os problemas por um breve período de tempo.  Fico me lembrando das noites anteriores, onde teu calor me esquentava até que um novo dia amanhecesse de novo no céu, e meu corpo remexe-se inquieto de desejos ao lembrar de seu toque macio sobre minha pele. Olho para o relógio, e percebo que já é tarde. Sinto-me ainda mais ansioso para te encontrar.  Desligo o computador com cuidado, apago as luzes e me deito sobre a cama repousando a cabeça no travesseiro, enquanto vou te puxando só pra mim. Em noites frias como esta, tu não sabes como te amo,
 meu cobertor  de veludo de invernos passados...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Recomeço


Em uma guerra de conflitos desconcertantes entre meu eu interior, me descobri, me achei, e me reinventei. Em passos lentos, fui recuperando forças para seguir em frente, e deixar de lado, algumas dores insólitas, que por diversas vezes me tiraram o chão.
                Assim como toda tempestade um dia passa, meus desassossegos também deixaram de serem tão turbulentos. Ainda que exista um certo pesar dentro de mim, já posso me sentir livre pra escrever novamente.
                E onde antes só havia melancolia, desespero e incertezas, hoje brilha como uma luz fraca de uma vela perdida no horizonte, a esperança.
                E enquanto houver esperança, lá estaremos. Lutando sempre por dias melhores.
                E acreditando sempre na maior verdade de todas: O amor sempre vence no final.
                A voz de um poeta, deve permanecer, mesmo que seu coração se inebrie com ideias torpes,  suas palavras ainda assim devem encontrar o elo de ligação entre a caneta, e a simples folha em branco.
                Novas desavenças vão surgir ao longo da caminhada, mais mesmo assim, não irei desistir. Pois ao final de tudo, tenho certeza que valerá muito a pena, pelo menos ter tentado.
                Ainda há que se agradecer aos amigos que com suas palavras amigas, sempre me ofereceram aquilo que mais preciso: Carinho. A Todos vocês, deixo meu profundo abraço solidário. Retribuirei todo esse carinho com muita poesia, palavras sinceras, e muito amor!
                Termino por hora, com a citação de uma música do Barão Vermelho: “O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou...”