terça-feira, 22 de outubro de 2013

Uma madrugada, um cigarro e uma tempestade.

Já é madrugada, na janela do meu quarto, e com o peito encostado na janela, olhando a tempestade chegando na cidade, lá estou eu, com o cigarro entre os dedos, pensando em tudo aquilo que de tão distante, parece ser parte de outra vida. 
No rádio, Jhonny Cash canta I Hurt myself today, to see if still feel, como se pudesse ler parte do que eu sinto agora, ou que preferia não sentir, mas no fim tanto faz. de alguma forma aprendi a me encontrar no meio dessa solidão toda. 
É incrível o poder que você exerce sobre mim. Sete anos. Fazem exatos sete anos que eu não falo seu nome, nem ouço aquela nossa velha música que tocava nas rádios. Pelo simples fato de que ao menor sinal da sua presença, minha vida vira uma bagunça. Faz sete anos que você me deixou e quando reencontro sua foto, guardada no fundo da gaveta do guarda-roupa, eu sinto o seu olhar como se ainda fosse ontem. Quando eu disse que eu te amaria até o fim da minha vida, confesso que pensei que fosse exagero. Mas mesmo assim, sete anos depois, aqui estou eu. Evitando tudo sobre você, na vã esperança de que um dia me acostume com a companhia da solidão, porque mesmo quando eu não quero pensar em você, eu penso. E enquanto isso acontecer, vai ser sempre você. Sempre amor à causas perdidas.
Aprendi a me encostar nos ombros da solidão e ficar ali. Sem me incomodar ou incomodar alguém. Por mais que possa parecer triste, eu aprendi a ser sozinho depois que você se foi e hoje isso não me incomoda tanto. Ok, pode incomodar um pouco às vezes, mas é melhor que mentir a mim mesmo que te esqueci e abrir as portas para um novo amor, que vai acabar ao menor sinal da sua presença. 
Talvez daqui uns anos, eu também aprenda a não chorar.
E de vez em quando, eu vou voltar a falar de você. Porque só assim vou escrever outras novas poesias. 
Bom, a tempestade chegou.
E agora eu só quero ouvi-la bater na minha janela.
Enquanto eu vou ficar aqui pensando em você outra noite.
Porque tudo sobre mim, é como aquela velha canção do U2:

"And I wait without you.
                     With or without you"

Um comentário:

  1. texto sentido... senti exatamente a angústia e a tristeza do buraco negro que só um amor pode deixar dentro da gente...
    a m e i cada palavra, cada tom, cada sentimento transmitido...
    só espero que essa história ainda tenha um final feliz.
    abraço!

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