sábado, 25 de maio de 2013

Garota
















Garota.
De sorriso de menina
De olhar que fascina 
De coração tão sereno
E olhos pequenos
Garota.
Que gosta de flores
Que sofreu por amores
E prefere o rosa, de todas as cores.
Garota.
Mulher.
Que sabe o que quer
E sabe melhor ainda o que não quer
Que cuida de si, com o coração na mão
Que faz graça, faz pirraça quando ouve um não.
Garota, sempre linda sem perder o brilho
Sempre em festa com seu simples sorriso.
Garota de encantos meus,
Perdida em pensamentos seus
Estás a me procurar?
Ou prefere que eu vá
Em seu encontro
E fique.

Por todo tempo que houver nessa vida?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sofia

















Sofia, sorria ao caminhar numa rua sem ladrilho
E sem alarde num fim de tarde, sumia no mundo o andarilho
De trilha em migalhas e corações ardentes em brasa
Partiram gaivotas na praia, com seu suave bater de asas

Dia de melancolia, chuva sem pressa em domingo
E o poeta ora indo, ora vindo, era poesia desencontrada
Amando amores amantes a menos tempo que gostaria
Sua poesia cantava sobre uma vida apaixonada

E o mundo, sussurrava-lhe: “Pobre poeta sem caminho”
[Mas porque pensas que não sei por onde estou seguindo?]

E Sofia, ah, Sofia ainda ria,
Como se no fim, tudo fosse poesia.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Meu cantinho no mundo


















Não temos Shopping aberto vinte quatro horas por dia,
e nem padaria.
Mas Morar aqui nesse cantinho do mundo, quem diria,
que seria assim, 
poesia todo dia nascendo no meu jardim!



(Nascer do Sol: Sítio S.Joaquim, Limeira-SP)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Amigo Canário



















No alto do morro, do páteo da casa velha
Canário de canto forte, amarelado da cor da terra
Da manha na fazenda, as lembranças
Do canto da vida que levo desde criança

Café coado em coador de pano
Longe da cidade e seus ruídos insanos
a vida no mato se renova a cada dia.
E o canário bem disposto, entoa a cantoria.

Fazendo companhia ao poeta aprendiz
Viver nesse cantinho de mundo me faz feliz
E felicidade é um canto que se canta com gosto
E o canário lá fora, acompanha a melodia com gosto.

E de canto em canto, vamos seguindo
às vezes abatido, mas sempre sorrindo
Porque não há alegria maior que viver apaixonado
Sempre na boa companhia, de meu amigo amarelado...



Esta poesia é um presente pra querida amiga Denise Oliveira do blog: Detalhes, pela ideia da poesia.!

Conto - Do que é feita a vida senão de sonhos?


“Do que é feita a vida, senão de sonhos?”
Veio me dizer naquela tarde o jovem sonhador da rua dos Alencares. E aliás, diga se de passagem, nunca vi nome tão extravagante para uma rua. O nome com certeza não era esse, mas era assim que todos nós a conhecíamos, pelo fato de lá ser a morada de quatro famílias com sobrenome iguais, mas que nunca se conheceram.
Mas esta não é uma historia sobre a rua, nem sobre a cidade, mas sim sobre as pessoas e seus sentimentos.
No momento mais amargo de minha vida, um velho, a beira da morte não poderia esperar muita coisa, senão relembrar seus velhos amores e as desilusões por eles causados. Tenho mais anos do que um garoto do primário possa contar e meu nome não passa de um borrão de tinta num pedaço de papel do cartório municipal.  Perdi meu grande amor quando tinha dezessete anos, e isso já faz tanto tempo, que é a única lembrança que tenho daquela época.
Eu a vi partir numa manhã de inverno, quando havia realmente inverno nessas terras, saiu pela porta como quem vai a padaria comprar o café da manhã e nunca mais voltou.
Recebi uma carta algumas semanas depois, dizendo que tinha seguido seu coração e embarcado junto à uma companhia de teatro norueguesa.  Nunca fiz objeções. Nunca falei dela antes, mas se a morte bate a porta de um velho, talvez seja a última vez que ele possa contar-lhe sua história.
Casei-me algumas vezes. Maria, Alice, Bernarda e Constância. A Todas dediquei amor, mas nunca um amor sincero. Nunca as traí. Nossos relacionamentos nunca duraram, porque mais dia ou menos dia, elas descobriam que eu era um velho amargo, cheio de lembranças de um amor passado que nunca morria.
E sim, viver de lembranças podem arruinar um homem.
Fiz dinheiro nos negócios, fui um bom pai e avô para com minha família, nunca deixei faltar absolutamente nada a nenhum deles. Mas faltava-me o amor. O amor perdido que foi que consumindo, consumindo, até que eu não conseguisse suportar.
E no final, quando o ciclo da vida se encerra, tudo o que tenho são as lembranças dela para meu consolo.
A morte chegou algumas horas depois da visita do jovem da rua dos alencares. Sentou elegante à mesa, e esperou que o café ficasse pronto. Sentamos e tomamos alguns goles, eu, sem açúcar e ela com uma pequena dose de conhaque que restara numa garrafa que eu nem lembrava mais que tinha.
No final, disse baixinho em meu ouvido: “ É chegada a hora, ela está te esperando do outro lado para viver tudo o que ainda não foi vivido.”
E então eu deitei-me no velho sofá da sala, pensando comigo enquanto partia:
“Do que é feita a vida, senão de sonhos?
...”